France Presse
e Associated Press
De Washington
Brasil se opõe claramente a qualquer ingerência externa na Colômbia, seja de caráter militar ou diplomático, e não foi consultado em nenhum nível pelos Estados Unidos sobre o tema, assinalou ontem o embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa. ‘‘Não vamos enviar ninguém, nem ninguém nos pediu’’, disse Barbosa.
Fontes da chancelaria argentina se referiram recentemente a discussões informais com os americanos sobre uma possível iniciativa regional - diplomática ou, em último recurso, militar - na guerra civil na Colômbia. A existência dessas deliberações foi desmentida oficialmente pelo governo argentino. O presidente Bill Clinton negou na semana passada que seu país queira intervir diretamente na Colômbia.
Entretanto, o envolvimento de militares americanos no conflito já é um fato, na medida em que experts militares americanos estão treinando as Forças Armadas da Colômbia e lhes fornecem informação de inteligência.
Barbosa destacou que o Brasil ‘‘se mantém apegado ao princípio de não-intervenção e de autodeterminação’’. ‘‘Este é um problema colombiano que deve ser resolvido pelos colombianos’’, insistiu.
Um contundente rechaço do Brasil a uma ingerência na Colômbia torna remota a possibilidade desse tipo de iniciativa, dado o peso que exerce na agenda regional, inclusive frente aos EUA. ‘‘Soubemos pela imprensa que na Argentina estão muito agitados com o assunto, mas nós não estamos’’, arrematou Barbosa.
O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, assegurou ontem em Bogotá que, enquanto estiver no cargo, ‘‘não haverá nenhuma intervenção estrangeira’’ em seu país. Além disso ele rejeitou a interpretação do governo dos EUA de que a guerrilha trabalha em favor dos narcotraficantes. Pastrana também afirmou que o entendimento do presidente Bill Clinton, dos EUA, é de que o problema da Colômbia deve se resolver pela ‘‘via política’’.

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