Brasil manifesta apoio à decisão de Fujimori
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domingo, 17 de setembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O governo brasileiro manifestou ontem formalmente o apoio à decisão do presidente peruano Alberto Fujimori, de convocar eleições e de se retirar da disputa. Uma nota distribuída pelo Ministério das Relações Exteriores afirma que o governo entende a atitude do presidente peruano como um passo adiante no esforço de aperfeiçoamento institucional do Peru. De acordo com o comunicado, as autoridades brasileiras também expressam sua confiança em que a evolução do quadro político peruano reforçará os mecanismos de diálogo existentes e assegurará inequivocamente a plenitude da ordem democrática.
Na nota o governo reitera a permanente solidariedade com a Nação peruana e reconhece a gravidade dos fatos que vieram a público, referindo-se às denúncias de corrupção envolvendo assessores diretos do presidente Fujimori. Em uma alusão direta ao episódio, o Ministério das Relações Exteriores lembra que a transgressão dos padrões de limpeza da vida pública é incompatível com o regime democrático.
A atuação do presidente Fernando Henrique Cardoso durante o processo eleitoral peruano evitou na prática uma intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Peru, como defendiam os Estados Unidos, por causa da supostas ilegalidades da eleição de maio. Durante o pleito, o presidente ressaltou que não concordava com ilações de que as regras democráticas naquele país foram quebradas.
Em contrapartida, o governo brasileiro decidiu cobrar do país vizinho o aprimoramento de sua democracia. Na ocasião, visitando a Feira Mundial de Hannover, na Alemanha, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o Brasil condenará energicamente qualquer ameaça à democracia na América Latina, mas ressalvou que o caso peruano é de outra natureza.
Creio que, uma vez concluída a eleição, que foi traumática, a lição principal é a de que o governo peruano certamente precisa concentrar-se em fazer do Peru um país mais democrático do que vem sendo e um país que se enquadre plenamente dentro das concepções democráticas que vigoram na região, explicou na ocasião o ministro das Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia.
Na Reunião do Grupo do Rio, realizada em junho em Cartagena, na Colômbia, Fernando Henrique reforçou o aviso, segundo o qual a ruptura da democracia resultaria no isolamento desse país. Na América Latina de hoje, cada país tem a consciência de que pouco ou nada teria a ganhar, e muito teria a perder, no isolamento que decorreria inevitavelmente de uma atitude de impermeabilidade aos sinais recebidos do exterior, disse.
Duas semanas antes, Fernando Henrique chegou a afirmar durante viagem a Europa, que não põe a mão no fogo pelo processo eleitoral no Peru, nem de nenhum outro país. Mas fez questão de defender a eleição, para o terceiro mandato, de Alberto Fujimori. Segundo o presidente, a OEA concluiu que existiam condições técnicas para as eleições serem realizadas e, contando os votos nulos e os dados ao candidato que não compareceu às urnas, ainda assim Fujimori obteve mais de 50%.


