Brasil importa 223 mil toneladas de lixo
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sábado, 25 de julho de 2009
Adriana Carranca<br>Agência Estado 
São Paulo O Brasil importou, oficialmente, mais de 223 mil toneladas de lixo de outros países desde janeiro de 2008, a um custo de U$ 257,9 milhões. No mesmo período, o País deixou de gerar cerca de U$ 12 bilhões com a reciclagem de 78% dos resíduos sólidos gerados em solo nacional, mas desperdiçados no lixo comum o País recicla apenas 22% do seu lixo, muito menos do que a capacidade de absorção da indústria nacional, que compra das recicladoras o material, usado como matéria-prima na fabricação de roupas, carros, embalagens, entre outros.
No ano passado, foram importados pelo menos 175,5 mil toneladas de resíduos e desperdícios de plástico, papel e cartão, madeira, vidro, alumínio, cobre, pilhas, baterias e outros componentes elétricos, e até as cinzas provenientes da incineração de lixos municipais de cidades estrangeiras. Entre janeiro e junho deste ano, foram importadas outras 47,7 mil toneladas.
Mesmo importando, as 780 empresas de reciclagem brasileiras, hoje, atuam com 30% da capacidade ociosa por falta de matéria-prima, segundo dados da Plastivida Instituto Socioambiental dos Plásticos. A falha está na coleta e separação do lixo, atribuição das prefeituras, segundo a Constituição. Apenas 7% dos 5.564 municípios brasileiros têm um sistema efetivo de coleta seletiva.
Mais de 40% do PET reciclado é absorvido pela indústria têxtil na fabricação de fios e fibras de poliéster - duas garrafas se transformam em uma blusa ou carpete para carro. O Brasil teria condições de fornecer todo esse PET, não desperdiçasse 50% do material no lixo comum, por falta de coleta seletiva. Se existisse uma política nacional de reciclagem não era preciso Bolsa Família. O dinheiro do lixo renderia aos brasileiros o mesmo benefício, além de emprego, ironiza o presidente do Instituto Brasil Ambiente, Sabetai Calderoni.
Para os países exportadores, não existe melhor negócio. Em países como Inglaterra, a destinação do lixo industrial é responsabilidade de quem gera e despejá-los nos aterros sanitários é muito caro. Exportar é uma saída, diz o diretor-executivo da associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), André Vilhena.


