Brasília - A presidente Dilma Rousseff telefonou ontem para o presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes. O gesto marcou oficialmente o reconhecimento do Brasil à escolha do novo líder.
O telefonema foi feito às 15 horas e durou cinco minutos. Segundo nota divulgada pela Presidência, Dilma "desejou um governo bem-sucedido e ressaltou a disposição para recompor as relações bilaterais e do Paraguai como Mercosul".
Ainda de acordo com o governo Dilma, Cartes agradeceu, disse estar pronto para trabalhar pela normalização das relações e demonstrou interesse em conhecer a experiência brasileira de combate à fome e à pobreza.
A avaliação de integrantes do governo brasileiro é de que o Paraguai só deve retornar ao Mercosul após o Congresso de lá aprovar a adesão da Venezuela ao bloco, e depois de uma análise por parte dos países que integram o grupo econômico.
O Paraguai foi suspenso do Mercosul após a controversa deposição do então presidente Fernando Lugo, em junho passado. Na ocasião, Brasil, Argentina e Uruguai decidiram pela entrada da Venezuela à revelia do Paraguai, o único país que resistia à medida.
Segundo a reportagem apurou, observadores brasileiros baseados no país vizinho estão otimistas quanto as chances de readmissão, mas não preveem o retorno antes de agosto, mês da posse de Horacio Cartes.
Primeiro, afirmam interlocutores da presidente Dilma, é preciso saber o resultado da eleição do Senado para então avaliar se haverá maioria simpática à votação.
Para o Brasil, o Partido Colorado deve usar a morte de Hugo Chávez como pretexto para quebrar resistências no Congresso e encaminhar a proposta de adesão do país hoje governado por Nicolás Maduro. Esperam, ainda, que o próprio Horacio Cartes lidere uma ação interna para viabilizar a proposta.
Pelo Twitter, a argentina Cristina Kirchner anunciou que telefonou para o novo colega e disse esperá-lo no Mercosul. O uruguaio, José Mujica, também telefonou para o vizinho e o convidou para o próximo encontro do bloco em junho, em Montevidéu. Até a Venezuela, que entrou depois no bloco, reconheceu Cartes como presidente.
O candidato colorado venceu com 45,8% dos votos, contra 36,9% obtidos pelo liberal Efraín Alegre, do partido do presidente Federico Franco.

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