Brasil expressa ''frustração'' e ''impaciência'' com a ONU
France Presse
De Nova York
Conforme a tradição, o Brasil abriu ontem a 54ª Assembléia Geral de Nações Unidas. O chanceler Luiz Felipe Lampréia expressou em seu discurso frustração e impaciência com a ONU por não cumprir seu papel de fiadora da paz e da Segurança Mundial.
Lampréia denunciou na Assembléia Geral, que por duas semanas reunirá representantes de 180 países, as debilidades demonstradas pela ONU e pela comunidade internacional em Kosovo, no Timor Leste e em Angola.
Em Kosovo, porque as iniciativas para solucionar esse conflito foram tomadas fora da ONU, disse Lampréia, sublinhando também que as medidas adotadas em relação ao Timor Leste não respondem às necessidades concretas para garantir o direito de autodeterminação dos timorenses.
Afirmou também que a comunidade internacional não busca responder ao conflito de dimensões catastróficas em Angola, Lampréia questionou a Assembléia sobre porque algumas situações geram intensa mobilização meios e recursos e outras não.
O brasileiro denunciou que Angola e Timor Leste, países que têm vínculos especiais com o Brasil, oferecem dois exemplos de um claro padrão desigual da ONU, e apelou à organização pela mobilização urgente e prioritária para assistir a esses dois países.
Sobre a América Latina, o chanceler brasileiro frisou as conquistas do restabelecimento da democracia e os avanços em relação aos direitos humanos. O representante da maior economia da América Latina e do Caribe fez um apelo aos países da região para que sigam com a modernização política e econômica.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu ontem aos líderes mundiais reunidos em Nova York para estarem mais dispostos a intervir em regiões castigadas por lutas. Annan tem deixado claro que atualmente o principal desafio da ONU é reforçar seu papel na proteção de civis, que estão cada vez mais sendo alvo de partes em luta. E para fazer isso, disse Annan, as Nações Unidas e o Conselho de Segurança têm de estar prontos para agir, mesmo quando os interesses de nações individuais não estejam em jogo. Uma era global exige um engajamento global, afirmou Annan à assembleia.
Ele destacou o contraste entre a incapacidade do conselho em encontrar uma estratégia comum em Kosovo com seu voto unânime e rápido na semana passada para aprovar uma força de paz para Timor Leste, considerando que isto era uma evidência do aparente crescente desejo de se intervir quando vidas inocentes estão em risco. Tal decisiva ação deveria deter aqueles que podem estar pensando em lançar novas guerras, disse.
Com Kosovo, Congo, Timor Leste e Angola certamente na mente de muitos dos mais de 185 líderes escalados para discursar, o tema da intervenção humanitária deverá ser destaque nos debates das próximas duas semanas.





