Brasília - O governo brasileiro enviará ao Chile dois helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB), tipo H 60. Nos próximos dias, também serão enviados àquele país equipamentos de diálise e um hospital de campanha da Marinha, cujo transporte será feito através de aeronaves da FAB.
Essas ações atendem às demandas do Chile, segundo informação divulgada pela assessoria de imprensa do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que coordena as ações do Gabinete de Crise do Governo Federal, que trata de assuntos ligados ao apoio às vítimas do terremoto ocorrido no Chile.
O grupo se reuniu na tarde de ontem e participaram do encontro representantes dos Ministérios das Relações Exteriores, da Defesa, da Integração Nacional, da Saúde, da Justiça, da Advocacia Geral da União, da Secretaria de Comunicação Social e dos comandos da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da FAB.
Segundo nota divulgada após o encontro, a eventual retirada de brasileiros do Chile ocorrerá com o aproveitamento do retorno das aeronaves da FAB que levarem carga para aquele país.
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, condenou ontem os saques e violência registrados nas áreas mais afetadas pelo terremoto do último sábado e afirmou que os criminosos ''receberão todo o rigor da lei''. O tremor de magnitude 8,8, um dos piores do Chile e do mundo, deixou ao menos 723 mortos, mais de 500 feridos e 19 desaparecidos, segundo último balanço do governo.
Bachelet se reuniu na manhã de ontem com os comandantes das Forças Armadas para coordenar o envio de ajuda às zonas mais afetadas pelo terremoto, no centro-sul do país. ''Nosso objetivo é levar ajuda às pessoas e enfrentar a emergência nas zonas devastadas, quem não entender isso, vai receber todo o rigor que a lei contempla para estas ações delinquentes que não estamos dispostos a tolerar'', disse a presidente, citada pela imprensa chilena, em referência aos saques e atos de vandalismo.
A presidente pediu ainda a compreensão dos chilenos, já que ''nunca antes na história do Chile'' houve um terremoto tão devastador. ''O que nos preocupa é levar segurança e tranquilidade à população. Entendemos perfeitamente as angústias e as necessidades das pessoas, mas sabemos perfeitamente que há ações delinquentes de pequenos grupos que estão provocando enormes danos materiais. Isso não vamos aceitar'', disse.
Esporádicos a princípio, os saques se intensificaram e ficaram mais violentos nas últimas horas, apesar do toque de recolher e do reforço do patrulhamento pelas tropas chilenas nas regiões mais atingidas pelo terremoto. A violência aumenta os temores da população, já angustiada com a falta de alimentos e a situação de abandono em várias localidades.
Em Concepción, 500 km ao sul da capital e epicentro da tragédia, a situação era crítica: ainda não foi implementado um canal de distribuição de alimentos e, apesar da forte presença militar nas ruas, os saques prosseguiam.
A violência também foi registradas em outras cidades, como na localidade costeira de Dichato, onde moradores denunciaram saques cometidos por pessoas vindas de outras regiões. O governo chegou a estender o toque de recolher para outras três cidades: Talca, Cauquenes e Constitución.

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