Nairóbi (Quênia)- O Brasil ficou em oitavo lugar em um ranking que analisou os países que mais combateram mudanças climáticas no último ano, atrás de seis países europeus e da Argentina.
O trabalho, chamado de Índice de Desempenho em Mudanças Climáticas, foi organizado pela ONG Germanwatch, que analisou as emissões de carbono na atmosfera resultantes da produção de energia, a tendência de emissões por setor e as políticas domésticas e internacionais na área de mudança climática. Os resultados foram divulgados ontem em Nairóbi, durante a COP-12 (12 Conferência das Partes) da Convenção do Clima da ONU.
Apesar de ter ficado entre os dez primeiros colocados, o Brasil perdeu uma melhor posição por não ter mais políticas internas para mitigação das mudanças climáticas ou por não apresentar uma postura internacional mais ''progressista'' na área, segundo a ONG.
O ranking classificou a Índia logo atrás do Brasil, em nono. A China foi o 3º pior colocado, por causa de sua matriz energética baseada em carvão. Christoph Bals, organizador do estudo, disse que o Brasil vai bem em termos de emissões de carbono - não entram no cálculo emissões causadas por desmatamento - e em tendências de emissão por setor da economia. Por esses dois aspectos, o país merecia estar entre os cinco primeiros da lista.
No entanto, ''se fossem analisadas somente as políticas, o Brasil estaria entre os cinco últimos, ao lado dos EUA e da Arábia Saudita'', disse Bals. ''O Brasil não é um país que bloqueia as negociações, mas tampouco pressiona para levá-las adiante'', disse Matthias Duwe, diretor-executivo para a Europa da Climate Action Network, rede de ONGs que na última sexta-feira deu ao Brasil o título de ''fóssil do dia'' em Nairóbi.
A delegação brasileira se recusou a comentar o ranking. Segundo um dos negociadores brasileiros, a delegação desconhece os especialistas que teriam opinado sobre a política externa brasileira na área.
O trabalho analisou a situação em 56 países que, individualmente, respondem por 1% ou mais das emissões globais de carbono. Os dados utilizados são da IEA (Agência International de Energia, na sigla em inglês).
A análise das políticas domésticas foi realizada por especialistas dos países estudados, enquanto especialistas internacionais fizeram comentários sobre as posições internacionais de cada país.
A má posição dos países que ficaram pior colocados variou entre grande número de emissões e boas políticas, como a China, e péssima postura internacional e falta de ação interna, como EUA, Austrália e Canadá.(Leia mais no Caderno de Economia)

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