Brasil é o 45º mais corrupto do mundo
David Moisés
Agência Estado
De São Paulo
O Brasil ficou em 45º lugar no ranking da corrupção, ao lado do Malawi, Zimbabue e Marrocos, segundo relatório divulgado ontem pela Transparency International. Houve uma melhora mínima em relação ao ranking do ano passado (46º), mas a nota de classificação não permite passar no exame, explicou Fernando Antunes, membro do comitê da Transparência Brasil, filiado à organização sediada na Alemanha.
O Índice de Percepção de Corrupção (IPC), medido desde 1995, levantou informações sobre propinas pedidas aos agentes internacionais por funcionários públicos de altos escalões em 99 países. Os dados foram fornecidos pelos próprios governos e pelos organismos de financiamento externo, e compilados por organizações como o World Economic Forum, Banco Mundial, Economist Intelligence Unit, Gallup International, Freedom House, Wall Street Journal, entre outros.
No alto do ranking deste ano, como países menos corruptos, estão os ricos Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia e Suécia, mas em 7º lugar está Singapura. No último lugar ficou a República de Camarões. Entre os latinoamericanos, o melhor colocado é o Chile, em 19º, seguido de Costa Rica, em 32º. A Argentina ficou em 71º lugar. O que é muito ruim, porque a Argentina é um país com renda per capita alta, observou Eduardo Capobianco, do Sinduscon-SP, também membro do comitê Transparência Brasil.
A International Transparency divulgou seu índice simultaneamente em vários dos 77 países onde tem representações. E apresentou um novo índice, que apura a oferta de propinas. Coordenado pelo Gallup International, o Índice de Percepção de Pagamento de Propinas (IPPP) indica os países-sede de corporações mais apontadas como corruptoras. Foram ouvidos 700 executivos das principais transnacionais, técnicos e advogados, câmaras de comércio e bancos em 14 países emergentes, inclusive o Brasil.
China e Hong Kong, Coréia do Sul e Taiwan ficaram em último lugar entre os países pesquisados, indicando que suas companhias são as que mais manifestam intenção de corromper funcionários de altos escalões para que seus produtos sejam preferidos em processos de licitação. Suécia, Austrália e Canadá são, no ranking, os que têm menos empresas propensas a oferecer propinas. Japão e Itália chamam atenção por estarem bem próximos dos últimos colocados, em 14º e 16º.
A metodologia da pesquisa é semelhante à usada naquelas que detectam percepções e tendências, seja as de preferências de consumo ou de grau de liberdade. Os nomes das empresas citadas como corruptoras não são revelados. O objetivo não é apontar alvos, mas atacar as causas da corrupção, explicou Neissan Monadjem, do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), também articulador da Transparência Brasil.
Com os dois índices, a Transparência Internacional tenta promover uma coalisão mundial contra a corrupção, para garantir que os investimentos públicos e privados resultem em desenvolvimento. Não é moralismo. O combate à corrupção é uma questão de racionalidade, disse Oded Grajew, do Instituto Ethos Empresas e Responsabilidade Social, outro integrante do grupo brasileiro.
O Banco Mundial, exemplificou, admite que boa parte dos seus financiamentos não têm efeito, porque os recursos não chegam ao seu destino. E as próprias companhias já levam em conta os custos da corrupção em cada país para determinar em qual deles fazer seus investimentos produtivos.
Na ponta dos corruptores também começa a pesar a pressão internacional. A prática comum na Europa, de permitir que as empresas lancem como despesas os gastos com propinas (um abatimento indireto no imposto de renda), foi bombardeada pela Transparency International e acabou proibida em fevereiro passado. Segundo a TI, a concorrência corrupta fez com que, em 1997, os Estados Unidos perdessem aproximadamente US$ 170 bilhões em negócios, fechados por empresas de outros países com a ajuda de propina. Por esta razão, o organismo luta para que os países ratifiquem a nova Convenção Anticorrupção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento da Europa (OCDE).





