Brasil e Japão querem postos na ONU
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quinta-feira, 26 de maio de 2005
Kaori Kaneko<br> France Presse 
Tóquio - O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse ontem que vai trabalhar com o Japão para avançar em seu projeto comum de ocupar cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU e Tóquio deve consolidar a aliança com uma generosa ajuda financeira. Trata-se de um empréstimo a taxas reduzidas de US$ 1,7 bilhão para financiar projetos petroleiros no Brasil, segundo o jornal Nikkei.
Lula começou ontem uma visita de três dias ao Japão, em um momento em que o país tem que defender sua entrada no Conselho de Segurança da ONU dos esforços da China para bloquear o desejo de Tóquio. ''É necessário reformar a ONU e torná-la mais eficiente e representativa'', declarou Lula diante do Parlamento nipônico.
O Japão luta em conjunto com o Brasil, Alemanha e Índia para obter um posto permanente no Conselho de Segurança, instância em que apenas China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia têm direito de veto atualmente. Lula também disse ao Parlamento que apóia os esforços para resolver a crise na Coréia do Norte feitos pelo primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que é criticado no Japão como demasiado indulgente com o Estado comunista. ''Pode-se buscar a paz regional através do diálogo e compromissos construtivos'', disse Lula.
Koizumi visitou o Brasil em setembro de 2004 e discutiu com Lula o tema do Conselho de Segurança. A seu desejo se somaram Índia, que o líder japonês visitou no mês passado, e Alemanha, cujo chanceler Gerhard Schroeder foi a Tóquio em dezembro.
A China acredita que o Japão deve fazer mais para compensar suas agressões bélicas antes de poder entrar no Conselho de Segurança. O Japão se defende afirmando que é pacifista e um doador generoso, já que concede mais fundos à ONU que qualquer outro país, exceto os Estados Unidos.
Tóquio deve anunciar uma generosa ajuda financeira. A transação deve render dividendos ao Japão, que depende 80% do Oriente Médio para seu abastecimento em petróleo. Lula, por sua vez, deve defender a utilização do etanol (álcool com base na cana-de-açúcar) como combustível ecológico. Em um momento em que o preço elevado do petróleo coloca em pauta novamente o problema das energias renováveis, o Brasil, maior produtor mundial de cana-de-açúcar, aposta em um plano de desenvolvimento do etanol.
O presidente brasileiro visitará amanhã a exposição universal de Aichi, perto de Nagóia (centro), reduto da indústria japonesa, onde uma importante comunidade nipo-brasileira trabalha. Entre o Japão e o Brasil existem vínculos antigos e os brasileiros fazem uma das principais comunidades estrangeiras no arquipélago japonês. Em suas negociações, Lula e Koizumi estudarão maneiras de integrar quase 275 mil brasileiros, a maioria de origem japonesa, mas com poucos conhecimentos da língua oficial, que estão registrados no Japão.


