Hong Kong - Brasil e seus parceiros do Grupo dos 20 (G-20) estão disputando com a União Européia (UE) os corações e mentes dos mais pobres. O dois contendores tentam mobilizar forças para as negociações da 6 Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), aberta oficialmente ontem em Hong Kong. No centro da disputa está reforma da política agrícola, que os europeus tentam tirar do centro das discussões.
Por proposta do G-20, coordenado pelo Brasil, reuniram-se no começo da noite de ontem ministros de cerca 110 países da Ásia, da África, da América Latina e do Caribe, alguns emergentes, a maioria pobre. O grupo de que participa o Brasil foi formado em 2003 para a negociação agrícola. China, Índia, Argentina e África do Sul são alguns de seus membros mais influentes.
Os países emergentes pedem às nações desenvolvidas que eliminem as ajudas à exportação até 2010. Também pedem um acordo para interromper as mesmas e melhorar o acesso aos mercados.
Além disso, exigem a manutenção do tratamento diferenciado aos produtos especiais e aos mecanismos especiais de salvaguardas definidos no acordo marco da negociação, com o objetivo de preservar a segurança alimentar, o desenvolvimento rural e a sobrevivência de milhões de pessoas.
A União Européia (UE), alvo da maior parte das críticas por sua oferta para abrir o mercado agrícola, já anunciou que não modificará sua proposta e exige que os países emergentes dêem um passo em relação aos produtos industriais e os serviços.
Com cerca de 60% da população, 70% da população rural e 26% das exportações agrícolas mundiais, os países emergentes reiteraram que primeiro é preciso ''avançar na agricultura para em seguida avançar em outras áreas da negociação, como os produtos não industriais (NAMA) e os serviços''. ''Os cortes esperados de nós na indústria devem ser proporcionais aos que se façam na agricultura'', disse o chanceler brasileiro, Celso Amorim.
Protestos - Milhares de militantes antiglobalização protestaram de foram pacífica em Hong Kong, na abertura da conferência. Nove pessoas ficaram levemente feridas quando a polícia antidistúrbios conteve cerca de 50 manifestantes que tentavam entrar no perímetro de segurança onde se celebra a conferência. A manifestação, que contou com a presença de cinco mil pessoas, foi vigiada por um dispositivo de mais de nove mil policiais, já que as autoridades temiam possíveis incidentes. Entre as pessoas mobilizadas havia inúmeros agricultores sul-coreanos. ''A OMC mata os agricultores'', dizia um dos cartazes.

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