São Paulo- O Brasil é credor - pelo menos, na área ambiental. Segundo um relatório lançado ontem pela ONG WWF, o País é uma das nações (está em segundo lugar, logo atrás dos Estados Unidos) que melhor reúnem condições para produzir bens a serem consumidos internamente e, principalmente, externamente. É o caso das exportações. Quando a União Européia compra carne da Amazônia, indiretamente ela também importa a água e todos os demais recursos naturais que viabilizaram o crescimento do gado na região - inclusive a floresta que foi cortada e substituída por pasto.
Acontece que o valor desse serviço ambiental não é computado no preço final do produto. ''Esses custos deveriam ser embutidos'', afirma Irineu Tamaio, coordenador do programa de Educação para Sociedades Sustentáveis da WWF-Brasil. Para ele, o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) deveria levar em consideração os recursos naturais necessário para a geração da riqueza.
O relatório também traz o tradicional ranking da WWF de quais países têm as ''pegadas ecológicas'' mais pesadas, metáfora para nosso impacto no planeta. O índice representa a área, terrestre e aquática, biologicamente produtiva necessária para fornecer a uma única pessoa comida, fibra, madeira, terreno para construção e terra para absorver o carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis, como o petróleo.
A média mundial é de 2,7 hectares, mas a média entre os países ricos é bem superior: 6,4 hectares. A ''pegada'' mais pesada é a do morador dos Emirados Árabes Unidos, grande produtor de petróleo: ela mede 9,5 hectares. Logo em seguida estão os norte-americanos, com 9,4 hectares. O Brasil está na 63 posição, com pegada de 2,4 hectares - a média dos emergentes é de 2,2 hectares.
O homem já excede em 30% a capacidade de o planeta se regenerar. Nesse ritmo, em 2030 precisaríamos de duas Terras para manter nosso estilo de vida. Contudo, o relatório é baseado em dados de 2005. ''Caso a crise econômica que atinge hoje o mercado global persistir, o panorama pode mudar ligeiramente, uma vez que a tendência é a de redução do consumo'', diz Tamaio.

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