O Brasil está entre os países que conseguiram reduzir em mais da metade os casos de contágio de Aids entre mulheres, graças a programas de prevenção, assim como Senegal, Tailândia, Uganda e algumas cidades da Tanzânia. A boa notícia foi anunciada ontem por Peter Piot, diretor do Programa das Nações Unidas para Aids (Unaids), durante a inauguração oficial da 12ª Conferência Mundial de Aids, realizada em Genebra, Suíça.
Em seu discurso durante o encontro, a primeira-dama Ruth Cardoso convidou cientistas, médicos, políticos, ativistas e doentes a unir suas forças na luta contra a propagação da doença. ‘‘Os governos devem priorizar em seus programas a batalha contra a aids’’, disse a primeira-dama.
Ao anunciar o êxito dos programas de prevenção entre a população feminina, Piot reconheceu também as diferenças que separam o norte do sul do mundo no que diz respeito às possibilidades para o tratamento da doença causada pelo HIV.
‘‘A prevenção funciona, e hoje temos mais opções que ontem’’, afirmou o responsável pelo programa das Nações Unidas, citando o preservativo feminino, as novas investigações sobre a transmissão da infecção de mãe para filho e as novas terapias que ajudam a prolongar a vida dos doentes. Piot lembrou que o maior esforço da conferência será reduzir a disparidade existente entre os países ricos e os em desenvolvimento no acesso a tratamentos.
O mundo tem 31 milhões de pessoas infectadas com HIV. A cada ano, mais 16 mil pessoas pegam o vírus. Desde a última conferência, realizada há dois anos em Vancouver, 10 milhões de pessoas contraíram HIV, disse Piot. Sobre uma vacina eficaz, Piot afirmou que antes de esperar por uma ‘‘perfeita’’, se deve experimentar as que existem hoje.
Ontem, a Internacional Aids Vaccine Initiative (IAVI), uma organização científica independente e sem fins lucrativos, apresentou seu planos científicos relacionados a avanços em vacinas preventivas contra o HIV e a seus prováveis testes em países em desenvolvimento.
A IAVI, que recebeu uma doação de US$ 1,5 milhão do empresário norte-americano Bill Gates, anunciou um plano para dirigir os gastos entre US$ 350 milhões e US$ 500 milhões no desenvolvimento de uma vacina nos próximos nove anos.
Segundo o médico Seth Berklev, presidente da IAVI, a iniciativa pretende identificar as falhas no desenvolvimento científico, oferecer assistência técnica aos países mais pobres e incentivar a colaboração pública e privada na pesquisa de vacinas. Além disso, recomenda a criação de até seis equipes internacionais para desenvolvimento de produtos com o objetivo de identificar vacinas e começar a testá-las.
Os primeiros testes em larga escala com humanos já estão sendo realizados nos Estados Unidos e Tailândia. Trata-se da vacina Aidsvax, desenvolvida pela companhia de biotecnologia da Califórnia, VanGen.

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