Xangai - O Brasil e a China estão discutindo um acordo para uma ampla cooperação na área nuclear. Se concretizado dentro das ambições do governo brasileiro, o acordo poderia resultar na autonomia do Brasil na produção industrial de urânio enriquecido para fins pacíficos. O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, que se reuniu nesta semana com autoridades chinesas em Pequim, disse que elas têm manifestado, desde novembro, interesse no urânio bruto brasileiro e no avançado processo de centrifugação desenvolvido pelo País, utilizado no processo de enriquecimento do minério.
O Brasil, por sua vez, tem interesse em participar da construção de 11 usinas nucleares na China, 4 delas no curto prazo. Ainda mais importante, segundo Campos, seria a possibilidade de o Brasil obter recursos para completar o seu programa nuclear e ter autonomia no processo de enriquecimento de urânio. ''Mantemos hoje a nossa posição histórica de não vender urânio para os países interessados'', disse Campos. ''Mas poderíamos discutir a hipótese de venda do nosso urânio numa proporção que viabilize a produção industrial de urânio enriquecido.''
O ministro disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou a criação de um grupo de trabalho que terá a tarefa de elaborar um relatório, num prazo de 90 dias, propondo mudanças no programa nuclear brasileiro. ''Vamos voltar a conversar com os chineses em agosto, após avaliarmos a nossa estratégia para o nosso programa nuclear.''
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, evitou se aprofundar sobre o tema, mas confirmou que os chineses estão interessados nas jazidas de urânio do Brasil o País tem a sexta maior reserva de urânio do mundo e que o País tem interesse em participar da construção das usinas chinesas.

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