Brasil desmente acusações da Unita
Itamaraty nega presença de militares brasileiros na guerra civil angolana. Unita transforma em alvo interesses brasileiros no país
France Press
De Brasília
O Itamaraty desmentiu nesta segunda-feira a presença de militares brasileiros envolvidos na guerra civil de Angola, como afirma um comunicado da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), segundo fontes da assessoria de imprensa da chancelaria brasileira.
Essas fontes, que disseram que o Brasil não reconhece a Unita, confirmaram, no entanto, a venda de 6 aviões de treinamento e reconhecimento Tucano ao governo de Luanda.
A Unita advertiu ontem que os interesses brasileiros em Angola tinham se transformado em alvo de suas ações, depois que conseguiram provas da participação de pilotos brasileiros nos combates e a compra de dezenas de aviões do tipo Tucano, de fabricação brasileira.
No comunicado, a organização de Jonas Savimbi destaca que os pilotos brasileiros estão comprometidos nas operações, dispersos em várias frentes de combate e matam populações indefesas no contexto da ofensiva militar lançada no dia 14 de setembro último.
A guerra civil em Angola foi reavivada em setembro de 1998 por causa de violações dos acordos de paz atribuídas à Unita.
A guerra já deixou mais de um milhão de mortos em vinte anos e 1,7 milhão de deslocados, 900 mil deles desde dezembro passado, segundo a ONU.
Nos últimos meses as agências internacionais têm advertido para os desastre humanitário em Angola. Quase dois milhões de civis foram deslocados pela guerra e estão ameaçados pela fome e doenças.
Angola, antes considerada a jóia do império português na África, jamais conseguiu a estabilidade política depois da independência.





