São Paulo - O governo brasileiro ''deplorou'' ontem a violência do regime sírio que colocou em xeque o acordo fechado um dia antes, entre o ditador Bashar Assad e a Liga Árabe para o fim da repressão. Fontes diplomáticas disseram que o tema foi discutido em um encontro na tarde de ontem entre o chanceler Antonio Patriota e o colega francês, Alain Juppé, em Cannes.
Ambos demonstraram preocupação com a situação atual e condenaram os ataques que teriam deixado pelo menos 20 mortos em Homs, segundo grupos de ativistas.
Na quarta-feira, a Liga Árabe havia confirmado que o regime sírio concordou integralmente com o ''mapa do caminho'' apresentado pelo grupo, que prevê retirar tanques e outros armamentos das ruas, iniciar diálogo com a oposição e libertar todos os presos políticos.
No encontro, o chanceler francês se mostrou cético em relação à disposição de Assad de cumprir o acordado. Patriota, por sua vez, insistiu que é preciso dar mais tempo ao ''mapa do caminho'' árabe para ver seus efeitos, mas também monitorar ''de perto'' a resposta síria.
A França foi um dos países que mais criticou o veto de China e Rússia e as abstenções do Brasil, África do Sul, Índia e Líbano na votação sobre a resolução contra a Síria no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Segundo a reportagem apurou, o Brasil chegou a apoiar a aplicação de alguns tipos de sanções contra o regime de Assad, como o embargo de armas ao país, mas se absteve de votar no texto apresentado no começo de outubro no Conselho por discordar, especialmente, da ''tática'' adotada pelos autores do texto (França, Reino Unido, Alemanha e Portugal) de submetê-lo a votação sabendo que não seria aprovado.
A discussão sobre uma outra manifestação do Conselho de Segurança segue parada em Nova York. Após as mortes ontem, os Comitês de Coordenação Locais (LCC), grupo de oposição sírio, convocaram a população à sair às ruas contra o regime nesta sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos. ''Talvez sexta-feira (hoje) seja o dia em que todas as ruas e praças vão se tornar plataformas para protestos e para o esforço pacífico de conseguir a queda do regime'', disseram os LCC.

mockup