Candomblé, batuque, umbanda, budismo, islamismo, judaísmo, catolicismo, são algumas das múltiplas religiões hoje praticadas no Brasil, o gigante sul-americano que cresceu com a importação de escravos negros e a imigração vinda de todo o mundo, transformando-se num exemplo de multirreligiosidade.
Líderes espirituais das principais religiões praticadas no Brasil celebraram juntos um ato pela paz, por causa dos atentados nos Estados Unidos. O último ato ecumênico desse teor, recorda o rabino Henry Sobel, foi em 1975, em homenagem ao jornalista judeu Vladimir Herzog, ''torturado e assassinado pelo regime'' militar brasileiro. ''Com essa frente religiosa, foi marcado o começo do fim da ditadura no Brasil'', assegurou o rabino.
Nas principais capitais do Brasil e em seus locais mais longínquos compartilham o espaço mesquitas, igrejas católicas, luteranas, anglicanas, evangélicas e espíritas, sinagogas, templos budistas e terreiros onde as mães-de-santo praticam o candomblé.
Em plena metrópole de São Paulo pode-se ver indígenas Pankararú dançando seus ritos vestindo máscaras, à margem do poluído Rio Pinheiros.
Reconhecido como o país mais católico do mundo, com cerca de 130 milhões que professam essa crença, o Brasil conta ainda com mais de 20 milhões de protestantes (evangélicos principalmente), 1,2 milhão de muçulmanos, 648 mil praticantes do candomblé, 368 mil de religiões orientais e 120 mil judeus, segundo estimativas oficiais e das igrejas.
A primeira religião importada ao Brasil foi a católica, com a colonização em 1500. Os cultos afro-brasileiros chegaram com os escravos. Já no século 18 também os africanos trouxeram o Islã, fortemente perseguido porque foi vinculado a rebeliões dos escravos, segundo o professor especializado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, João Batista Vargens.
''O Brasil é uma mãe para todo o mundo. Todos vivemos nessa nação abençoada'', frisa o xeque muçulmano Armando Hussein Saleh. ''Este é um país tradicionalmente católico, que no século 20 viveu fraternalmente com as religiões judaica e muçulmana'', declarou o arcebispo de São Paulo Claudio Hummes. ''Mais que respeito, no Brasil existe uma relação de irmandade. Claro que todos temos nossos radicais, mas a grande maioria apóia o clima de tolerância que existe no Brasil'', concluiu o rabino Sobel.

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