Brasil dá asilo ao ex-presidente Cubas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de março de 1999
Edson Luiz Agência Estado 
O ex-presidente do Paraguai, Raúl Cubas Grau, que renunciou na noite de domingo, pediu asilo político no final da tarde de ontem na embaixada brasileira em Assunção. O pedido, segundo o Ministério das Relações Exteriores, foi aceito pelo governo brasileiro. Cubas tem ligações com o Brasil, já que estudou durante alguns anos no Rio de Janeiro. Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) foi enviado pelo Brasil para buscar Raúl Cubas.
O presidente do Paraguai renunciou ao cargo para escapar do impeachment, durante uma das maiores crises já vividas pelo país nos últimos anos, acirrada com o assassinato do vice-presidente Luis Maria Arga¤a, na semana passada. O embaixador do Brasil no Paraguai, Bernardo Pericás, tentava, até a noite de ontem, uma salvaguarda para tirar Cubas do País.
O Itamaraty enviou o diretor-geral do departamento das Américas, ministro Antonino Lisboa Mena Gonçalves, para acompanhar o ex-presidente e seus familiares na viagem ao Brasil. A decretação judicial da prisão domiciliar do ex-presidente, porém, pode complicar a saida de Cubas para o Brasil.
O juiz Gustavo Ocampos decretou a detenção domiciliar preventiva do ex-presidente do Paraguai Raúl Cubas, acusado de assassinato por omissão em consequência do massacre de cinco manifestantes na Praça de Armas, sexta-feira passada. O magistrado atendeu a um pedido apresentado pelo promotor Fernando Casa¤as Levy com base em denúncia feita pelo senador José Francisco de Vargas, que acusou o presidente e o irmão dele, Carlos, pelo episódio. De acordo com a sentença, o comando da força policial estava nas mãos dos dois irmãos.
Entretanto, o recém-empossado ministro do Interior, Walter Bower, que foi o principal opositor a Cubas Grau durante a crise política da semana passada, afirmou que o ex-presidente paraguaio, mesmo não tendo obtido formalmente a imunidade parlamentar, poderá ficar tranquilo e contar que não será preso. Cubas Grau teria que ter assumido sua vaga no senado paraguaio na categoria de senador vitalício ontem, cargo ao qual teria direito como ex-presidente. No entanto as horas passavam em Assunção e a comissão do Senado, encarregada de dar a posse a Cubas Grau, não o chamava para a cerimônia. Temendo ficar sem imunidade parlamentar para protegê-lo, o ex-presidente decidiu pedir asilo ao Brasil.
Na Embaixada do Brasil houve grande tensão ao longo da tarde mas não foi confirmada a presença do ex-presidente Raúl Cubas Grau ou de algum de seus familiares na residência do embaixador Bernardo Pericás.


