São Paulo - O Brasil, assim como todos os demais países do continente americano, corre o risco de registrar casos de infecção de aves com o vírus H5N1, o tipo mais letal da influenza aviária.
Essa é a avaliação de especialistas como Joseph Domenech, veterinário-chefe do FAO (o fundo da Organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação), em Roma: ''Não podemos prever quando o vírus atingirá países específicos, mas podemos dizer que nenhum país está livre do risco e todos devem estar preparados. O risco está lá''.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o início deste mês mais 13 países da Ásia, Europa e África já confirmaram a contaminação de aves com o H5N1.
É só uma questão de tempo para que a doença alcance a América, como diz a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Liana Brentano, doutora em virologia animal na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
''Esse risco existe, mas ninguém sabe quando e como ocorrerá. O contágio, muito provavelmente, será através de aves silvestres migratórias. Uma prova disso é o fato de a doença estar se disseminando da Ásia para a Rússia e da Europa agora para a África. É um padrão previsível'', diz.
Existem oito rotas principais de migração de aves silvestres, segundo a FAO: Américas-Pacífico, Américas-Atlântico, Américas-Mississipi, Atlântico Leste, Mediterrâneo-Mar Negro, Ásia Central, Ásia Ocidental-Leste da África e Austrália-Ásia Oriental.
É possível, por exemplo, que aves que estão na Rússia cheguem ao continente americano pela Groenlândia. ''Quando começar a migração de aves do hemisfério norte, por volta de abril até setembro, aumenta o risco para a gente'', afirma Liana Brentano, da Embrapa.
A chegada do vírus H5N1 na América pode ocorrer por meio da migração de aves silvestres, mas também através do comércio de aves seja para alimentação ou domesticação, essa última ainda pode ficar longe da mira da fiscalização em decorrência do contrabando de animais.
Evitar que o H5N1 alcance a América por meio da migração aviária é uma tarefa impossível, mas os especialistas garantem que há medidas de prevenção para evitar que as aves domésticas sejam afetadas. ''O que tem de ser feito é o controle da avicultura comercial para que não haja contato com aves silvestres. Aí entra o governo e a própria iniciativa privada'', alerta Liana Brentano.

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