O governo britânico convidou o chanceler Luis Felipe Lampreia para uma reunião do G-8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo, ampliado em 1997, com a inclusão da Rússia), para discutir as explosões nucleares na Índia e no Paquistão. Além do Brasil, a Argentina, a África do Sul, a Ucrânia, a China e as Filipinas também devem enviar representantes, sexta-feira, em Londres.
‘‘As explosões na Índia e no Paquistão ressucitaram o temor de um eventual conflito nuclear, tão presente durante o meio século de guerra fria, encerrada nesta década’’, explicou uma fonte diplomática. ‘‘Pior que isso: abalaram o clima de confiança, que é a única base para qualquer política mundial de desarmamento’’.
Participam do G-8 quatro potências nucleares (Estados Unidos, Rússia, França e Grã-Bretanha), além da Itália, do Canadá, da Alemanha e do Japão. Brasil, Argentina e África do Sul foram convidados para o encontro porque os três representam um exemplo: são países que, mesmo dispondo de tecnologia, renunciaram aos planos de fabricar a bomba atômica.
A Ucrânia é outra das 15 ex-repúblicas da antiga União Soviética (além da Rússia) que ficou com parte do arsenal atômico do império comunista. A China também foi convidada, por ser uma potência nuclear. E o ministro das Filipinas estará representando a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Tanto a Asean, quanto a África do Sul representam regiões em conflito. O Sudeste Asiático está sob um clima de turbulência econômica e política. Já Angola, vizinha da África do Sul, ainda não concluiu sua guerra civil. ‘‘A idéia desse encontro é buscar uma aliança internacional para conter os ânimos e levar a Índia e o Paquistão a reverem suas posições’’, disse um diplomata.
Em maio, quando se encontrou com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na Suíça, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, fez questão de elogiar a posição do Brasil e da Argentina - dois antigos rivais, que abriram seus programas nucleares para inspecções mútuas, além de assinarem acordos internacionais abrindo mão da bomba atômica e de explosões nucleares.
No início de maio, dias antes da primeira explosão na Índia, que desencadeou a atual crise, o embaixador Wolfgang Hoffman visitou o Brasil. Ele preside a organização, encarregada de fiscalizar o cumprimento do Tratado para a Proibição Completa de Testes Nucleares, assinado em 1996. Dos 149 signatários, apenas 13 ratificaram o documento. Destes, somente dois são potências nucleares: França e Grã-Bretanha. Apesar da recusa da Índia, do Paquistão e da Coréia do Norte em aderir ao CTBT, Hoffmann estava otimista. Ele lembrou que, de julho de 1954 até 1996, mais de duas mil explosões atômicas foram registradas no mundo. Mas que, desde assinatura do tratado, não houve mais testes. Suas declarações foram desmentidas pelos fatos menos de uma semana depois.

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