Brasil assina acordo militar com EUA e tenta ampliar espaço no mercado de defesa americano
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domingo, 08 de março de 2020
Marina Dias - Folhapress 
Flórida - O governo Jair Bolsonaro assinou neste domingo (8) um acordo militar inédito com os Estados Unidos para tentar ampliar a entrada do Brasil no mercado de defesa americano, o maior do mundo. O acordo bilateral é tratado como o principal resultado prático da viagem de Bolsonaro à Flórida esta semana e é um aprofundamento da designação do Brasil como aliado privilegiado fora da Otan (a aliança militar ocidental), status concedido ao país em março do ano passado, durante visita do presidente brasileiro a Washington.

Bolsonaro quer capitalizar politicamente o tratado para passar a imagem de que sua relação com Trump tem rendido frutos. Sabe que o status de aliado extra-Otan não significa nada sem acordos específicos como este, mas não quis dar nenhuma declaração pública após a assinatura do acordo. Negociado pelo Departamento de Defesa dos EUA e pelo Ministério da Defesa do Brasil, o tratado conhecido como RDT&E (sigla inglesa para pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliação) é um caminho ao desenvolvimento de projetos conjuntos entre os dois países. Bolsonaro participou da cerimônia para a assinatura do acordo no Comando Sul, que supervisiona as Forças Armadas dos EUA na América Latina e no Caribe. Ele foi o primeiro presidente brasileiro a visitar a unidade militar "Esta tem sido uma viagem muito proveitosa no aspecto de defesa para o Brasil e nossas Forças Armadas", disse o ministro Fernando de Azevedo e Silva (Defesa).
Integrantes da Casa Branca tinham a expectativa de que o jantar entre Bolsonaro e o presidente Donald Trump, no sábado (7), servisse para debater pressões sobre o governo de Nicolás Maduro. Os americanos esperam aumentar a compressão sobre o ditador venezuelano, porém, também não são claros sobre o que fazer em parceria com o Planalto.
O RDT&E chancelado neste domingo poderá ampliar o acesso da Base Industrial de Defesa ao mercado americano, bem como a formalização de outros pactos no setor de defesa. A lógica é simples: as parcerias farão as empresas brasileiras candidatas naturais a entrar em cadeias de produção global puxadas por americanos. Celebrado pelo governo Bolsonaro, o acordo precisa do aval do Congresso dos dois países para ser efetivado.
Os EUA concentram 39% do gasto militar do mundo com investimento que passou dos US$ 96 bilhões (R$ 432 bilhões) no ano passado.O Brasil, por sua vez, vive um momento de expansão de gastos militares sob Bolsonaro, mas em proporção muito menor. Mesmo seus gastos totais (R$ 109,9 bilhões em 2019), os 11º maiores do mundo, não dão conta nem de duas semanas do dispêndio dos EUA.


