Brasília - O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Elías Jaua, afirmou ontem em Brasília que teve "boa receptividade" do Brasil para a proposta de reunir a União dos Estados Sul-Americanos (Unasul) para analisar a crise venezuelana.
O chanceler venezuelano foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, em sua residência. Pela manhã, concedeu entrevista coletiva na embaixada da Venezuela. "O chanceler Figueiredo teve boa receptividade a essa proposta, porque a Unasul demonstrou ser um caminho muito eficiente para a solução de conflitos de natureza política. Isso ocorreu no caso de Bolívia, Equador, Paraguai e da própria Venezuela no caso do reconhecimento ao resultado das eleições de 2013", disse Jaua.
A visita ao Brasil faz parte de um giro por países do Mercosul para expor a situação da Venezuela e buscar respaldo ao presidente Nicolás Maduro, que enfrenta uma onda de protestos no país.
A discussão na Unasul faz parte de estratégia da Venezuela de não levar o assunto para a Organização dos Estados Americanos (OEA), do qual os Estados Unidos fazem parte. Jaua faz críticas a "outras organizações que não demonstraram ao longo de sua história a mesma capacidade de encontrar mecanismos para desativar rapidamente as agressividades contra a democracia venezuelana".
Questionado sobre sua expectativa em relação à Unasul, Jaua afirmou esperar que a instituição sinalize "que na região sul-americana não há espaço para tirar do poder a vontade do povo".
O chanceler venezuelano disse que entregou um relatório ao ministro brasileiro sobre os conflitos no país e atribuiu-os a uma ação "neofascista" da oposição.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nota confirmando o encontro com Jaua, mas sem falar se o Brasil apoia a reunião da Unasul para tratar do tema.

mockup