Brancos do Zimbábue tentam emigrar para a Austrália
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terça-feira, 09 de maio de 2000
France Presse De Harare 
Confessando seu terror ante o aumento da violência no Zimbábue, cerca de 400 brancos em busca de um novo Eldorado se apinharam ontem em um grande hotel de Harare para participar de uma reunião de informações sobre a emigração para a Austrália.
Fazendeiros, empresários, professores, com idades variando de 20 a 60 anos, comentavam com voz grave e rostos angustiados o assassinato, na madrugada de de anteontem, de um terceiro fazendeiro branco, Alan Dunn.
Se as pessoas que estão no poder considerarem necessário, seremos eliminados um a um a pancadas, exclamou Peter Johnson, fazendeiro da região de Marondera (sudeste de Harare). Não temos outra alternativa a não ser o êxodo, acrescentou sua esposa, Ann.
Definidos como bodes expiatórios pelo regime do presidente Robert Mugabe ante a difícil perspectiva para o partido partido no poder (Zanu-PF) de eleições legislativas, os brancos viram suas propriedades serem ocupadas maciçamente desde fevereiro passado por ex-combatentes da guerra pela independência.
Cerca de 4 mil fazendeiros brancos possuem 70% das terras mais prósperas do país. As violências, vinculadas à campanha eleitoral e à ocupação de terras, deixaram desde fevereiro um saldo de 17 mortos.
Levando seu bebê de quatro meses nos braços, Gail Menage, de 24 anos, relatva que precisou refugiar-se em Harare, como muitas mulheres de fazendeiros, depois da ocupação de sua plantação de tabaco localizada perto de Mvuma (Sul). Éramos prisioneiros em nossa própria terra, explicou.


