São Paulo- O Brasil é o terceiro maior consumidor de inibidores à base de anfetamina do mundo, segundo um relatório publicado ontem pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC). Segundo o documento, o consumo dos estimulantes à base de anfetaminas foi de dez doses diárias por mil habitantes em 2004-06.
Na Argentina -país que ocupa o primeiro lugar no ranking- o consumo foi de 17 doses diárias por mil habitantes. De acordo com a UNODC, entre os biênios de 2000-02 e 2004-06, o consumo dos estimulantes do grupo anfetamínico (ATS) produzidos legalmente aumentou em 57% nas Américas -de sete para 11 doses diárias por mil habitantes.
Segundo o relatório, o consumo desses estimulantes foi maior do que a média em países da América do Sul, Central e do Caribe. De acordo com o documento, isso seria resultado da disponibilidade e abuso desses produtos por fontes lícitas.
No Brasil, por exemplo, a anfetamina pode ser consumida legalmente já que é a principal substância de diversos remédios para perda de peso e estimulantes. ''Esse aumento representa um padrão preocupante que indica abuso no número de receitas, o que no passado já foi associado a um risco maior de abuso dos ATS'', diz o documento.
Drogas sintéticas
O relatório alerta que o consumo de drogas sintéticas como o ecstasy, anfetaminas e metanfetamina, apesar de estáveis na maioria dos países desenvolvidos, aumentou nos países em desenvolvimento, especialmente no leste e sudeste asiáticos e no Oriente Médio.
De acordo com o documento, o consumo permaneceu estável ou apresentou redução em países da América do Norte, Europa e Oceania, mas o problema se espalhou para novos mercados.
A Ásia é responsável por uma grande demanda. Em 2006, cerca da metade dos países asiáticos registraram aumento no consumo de metanfetaminas. No mesmo ano, a Arábia Saudita apreendeu mais de 12 toneladas de anfetamina -o que representa 25% de todos os ATS apreendidos no mundo. Em 2007, esse número subiu para 14 toneladas.
Esses dados refletiram no consumo global anual das drogas sintéticas, que superou o da cocaína e da heroína. Segundo as estimativas da UNODC, o mercado global dos estimulantes sintéticos movimentou cerca de US$ 65 bilhões.
A divulgação do relatório foi acompanhada pelo lançamento de um novo programa da UNODC para tentar difundir informações sobre os estimulantes do grupo anfetamínico.

mockup