BPJ negocia em busca de uma maioria
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quarta-feira, 04 de março de 1998
Narayan Swamy France Presse 
France PresseAral Behari Vajpayee: favoritoOs nacionalistas hinduístas, vencedores das eleições legislativas na Índia, assim como seus partidos contrários, iniciaram ontem uma complexa rodada de negociações para tentar obter a maioria necessária no Parlamento.
Depois de dois meses de campanha, três semanas de eleições e a contagem de 350 milhões de votos, o governo da democracia mais povoada do mundo - o quinto em dois anos - depende agora das manobras entre bastidores, das traições, das promessas e favores.
Na metade do dia de ontem, o BJP (Bharatiya Janata Party, Partido do Povo Indiano, direita nacionalista) e seus aliados dispunham de 249 cadeiras, a 25 da maioria absoluta que esperavam obter.
Seus adversários, o Partido do Congresso, da dinastia Nehru-Gandhi e a Frente Unida, a atual coalizão de centro-esquerda, obtiveram respectivamente 166 e 93 cadeiras.
Os pequenos partidos regionais, cujo papel se torna fundamental a partir de agora, obtiveram 22 deputados. Ontem só eram conhecidos os resultados definitivos de 535 das 545 cadeiras.
Na falta de uma maioria absoluta, todos os partidos começaram a procurar novos amigos. O BJP, que já anteontem havia proclamado seu direito de dirigir o país, afirma que tem um mandato claro e é por isso o mais otimista. Esperamos que Atal Behari Vajpayee seja o novo Primeiro-Ministro, adiantou o dirigente hinduísta, referindo-se ao líder máximo do partido.
Uma vez anunciados os resultados, será tarefa do presidente da República, K. R. Narayanan, decidir quem poderá assumir o governo com maiores garantias de estabilidade.
Por toda lógica, Narayanan deve escolher os nacionalistas hinduístas. Mas o chefe do complexo Estado indiano quer evitar uma crise como a que abalou o país depois das legislativas de 1996. O BJP, à frente dos resultados, mas sem maioria absoluta, teve de demitir-se depois de apenas 13 dias no poder.
A Frente Unida, coalizão heterogênea que vai do centro aos comunistas, governou então com o apoio do Congresso, antes que este lhe retirasse seu apoio, o que provocou sua queda em novembro do ano passado.
Os dois blocos, visceralmente anti-BJP, a quem acusam de sectarismo, tentam reduzir suas divergências, mas por enquanto nem mesmo têm um candidato comum ao cargo de Primeiro-Ministro.


