Um tribunal francês condenou ontem o militante contra a globalização José Bové a 10 meses de prisão, mas o eximiu de cumprir a pena e lhe aplicou um período de observação de dois anos. Bové invadiu com outros companheiros, em junho de 1999, um laboratório do centro de cooperação internacional em pesquisa agronômica para o desenvolvimento (Cirad). Os cientistas estavam há anos trabalhando em um arroz transgênico que poderia ter sido utilizado para aumentar a produção deste alimento no Terceiro Mundo, segundo os cientistas. Bové, um produtor de leite ligado a fabricantes de queijos, é um adversário declarado da pesquisa científica no domínio da genética.
A promotoria pediu três meses de prisão efetiva para ele ao tribunal de Montpellier, sul da França, que ditou ontem a primeira de três sentenças esperadas contra Bové.
Dois de seus companheiros desta organização, Dominique Soullier e René Riesel, foram condenados respectivamente a 8 e 10 meses de prisão também com sursis.
Bové declarou imediatamente que ‘‘o combate continua’’ e acrescentou que ‘‘nem as penas de prisão nem as multas vão me impedir de dizer que os organismos geneticamente modificados (OGM) são perigosos’’. Reiterou que sua organização mantém sua palavra de ordem de que o próximo 17 de abril seja ‘‘um dia de mobilização para destruir os OGM’’ em toda a França.
Quinta-feira da próxima semana, a justiça divulgará outras duas sentenças contra Bové: uma por ter atacado e destruído uma lanchonete McDonald’s em Millau, sul da França em 1999, e outra por ter participado do sequestro de três funcionários do ministério da agricultura.

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