Londres - Faça-se o brexit! Foi essa a mensagem que os britânicos deram na eleição desta quinta-feira (12) ao garantir ao primeiro-ministro Boris Johnson a maioria das cadeiras do Parlamento.

Com o resultado, Boris Johnson continuará à frente do governo e deve aprovar com facilidade o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia até 31 de janeiro
Com o resultado, Boris Johnson continuará à frente do governo e deve aprovar com facilidade o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia até 31 de janeiro | Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP

Às 5h30 (horário do Brasil), com a apuração concluída em 649 distritos, o Partido Conservador, do qual Boris é líder, conquistara 364 cadeiras, mais que as 326 necessárias para aprovar suas políticas. Os trabalhistas, que garantiam 203 assentos, ficaram com a sua menor bancada desde quando conquistaram apenas 154 cadeiras em 1935.

Com o resultado, o primeiro-ministro Boris Johnson continuará à frente do governo e deve aprovar com facilidade o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia até 31 de janeiro, como prometeu.

Boris falou sobre a vitória logo após às 7h (horário de Londres), dizendo que o brexit era "irrefutável, irresistível, uma decisão indiscutível do povo britânico". Acrescentou que os eleitores de regiões trabalhistas que deram seus votos aos conservadores não seriam decepcionados.

O presidente dos EUA, Donald Trump, congratulou Boris, afirmando que o Reino Unido e os EUA "agora estarão livres para firmar um maciço novo acordo comercial após o brexit”. “Este acordo pode ser muito maior e mais lucrativo do que qualquer acordo que possa ser feito com a União Europeia", escreveu o republicano em uma rede social.

Jair Bolsonaro também parabenizou Boris em uma rede social, chamando o resultado das eleições de "grande vitória" e afirmando que "Brasil e Reino Unido compartilham o apreço à autodeterminação e à soberania".

Considerada catastrófica, a derrota do Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn, se deu principalmente em distritos do centro e do norte da Inglaterra, cidades de tradição industrial que eram território trabalhista, mas majoritariamente favoráveis ao brexit.

Um dos distritos que está sendo apontado como símbolo da virada no centro-norte inglês é Workington, que teve um representante trabalhista em 97 dos últimos 100 anos. Desta vez, o candidato conservador venceu por uma diferença de 4.000 votos. "Workington man" é o apelido dado pela imprensa ao tipo de eleitor que Boris tentava conquistar nessa eleição: homens brancos mais velhos, da classe trabalhadora e a favor do brexit.

O partido de Boris também venceu no distrito leste de West Bromwich, onde os trabalhistas jamais haviam perdido. A conquista era chamada de "escalpo dos escalpos" pela mídia conservadora.

Em entrevista na madrugada, o primeiro-ministro disse que o resultado demonstra legitimidade para que ele avance na retirada do Reino Unido da União Europeia.

Já o principal derrotado, o líder trabalhista Jeremy Corbyn, afirmou que não voltará a liderar seu partido em outras eleições, mas deve continuar no posto até que a agremiação discuta os rumos futuros. Na sexta, Corbyn afirmou que isto deve acontecer no começo de 2020, e que ele se afastará da liderança logo em seguida.

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