A Otan voltou a despejar bombas de grafite em centrais termoelétricas, deixando a Sérvia sem luz e água (os motores elétricos de bombeamento das adutoras pararam) pelo quarto dia consecutivo. A Sérvia forma com a pequena República de Montenegro a federação iugoslava. ‘‘Pelo menos 60 mil doentes em hospitais do país estão correndo sério risco com a interrupção da energia elétrica’’, disse a ministra da Saúde sérvia, Leposava Milicevic.
Reagindo a essa afirmação, Shea, o porta-voz da Otan, disse que o governo iugoslavo dispõe de geradores em número suficiente para manter hospitais e escolas em funcionamento. ‘‘Enquanto os sérvios de Belgrado passam por alguns transtornos, os kosovares enfrentam uma terrível tragédia.’’
Cerca de mil bebês albano-kosovares nasceram durante a fuga de seus pais ou em campos de refugiados, disse Jamie Shea. Mais de 50 por cento dos refugiados que se encontram na Albânia e na Macedônia são menores de 18 anos, 40 por cento menores de 14 anos e mais de 20 mil estão no primeiro ano de vida. ‘‘Os
bebês nasceram nos campos de refugiados sem incubadoras, sem eletricidade, sem cuidados médicos, sem água, sem teto, em nada. Por isso são claramente menos privilegiados que os bebês de Belgrado’’, disse Shea.
Entre os dramas sofridos pelos albaneses étnicos, a ONU inclui um número alarmante de denúncias de violações de mulheres entre 15 e 25 anos. Segundo denúncias de refugiadas, soldados e policiais sérvios reúnem grupos de 5 a 30 mulheres que são levadas a locais ermos e estupradas sob ameaça de serem queimadas vivas. Muitas das vítimas temem agora ser abandonadas por seus maridos e famílias.
O número de refugiados que os sérvios despejam sistematicamente de ônibus, caminhões e trens nas fronteiras macedônia e albanesa cresceu consideravelmente desde o sábado, numa operação classificada pela ONU de ‘‘última etapa da campanha de limpeza étnica’’.
Na frente diplomática, o subsecretário de Estado americano, Strobe Talbott, reúne-se hoje em Moscou com o negociador russo Viktor Chernomyrdin. O Kremlin espera chegar a um entendimento com a Casa Branca sobre a composição e o comando da força de paz que desembarcará em Kosovo. ‘‘Estamos otimistas’’, disse Chernomyrdin, que ainda esta semana vai a Belgrado.

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