Bombas de fragmentação atraem crianças
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quarta-feira, 23 de maio de 2007
France Presse 
Lima- As bombas de fragmentação, consideradas mortíferas e uma ameaça em grande escala, podem ter aparência de brinquedos que matam crianças indiscriminadamente, denunciaram delegados de Cambodja e Líbano na abertura em Lima de um fórum intergovernamental de 70 países que buscam o banimento desse tipo de arma. Na América Latina, os únicos países que as produzem são Chile, Argentina e Brasil. Delegados de Santiago e Buenos Aires assistem ao fórum em Lima, que não conta com a participação do Brasil.
A reunião foi aberta pelo vice-chanceler peruano Gonzalo Gutiérrez para quem o Peru planeja que a curto prazo seja emitida uma Declaração para que na América Latina seja proibida a produção, transferência e armazenamento das bombas de fragmentação.
No caso do Líbano, após a invasão de Israel que as utilizou em 2006, estes explosivos ficaram espalhados em campos, jardins, ruas, próximos de escolas com seu potencial monstruoso, declarou Gebran Michel Soufan, representante permanente libanês nas Nações Unidas.
''Para as crianças estas bombas podem parecer brinquedos e em alguns casos parecem frascos de perfume'', explicou o diplomata na sessão de abertura da Conferência de Lima sobre Bombas de Fragmentação.
Mencionou o caso de uma criança que ficou com o pulmão perfurado após ativar um destes artefatos próximo ao seu colégio no sul do Líbano, um caso entre outros - frisou - que coloca em evidência que os menores ''estão estigmatizados e mutilados, que sofrem e necessitam de cuidados e pronta atenção''.
''Calcula-se que haja 1,2 milhão de bombas de fragmentação não detonadas no sul do Líbano, região que está sendo devastada'', afirmou.
O fórum intergovernamental, que terminará na sexta-feira, é organizado pelo governo do Peru com o apoio da Noruega, onde em fevereiro foi assinada a Declaração de Oslo por 46 países, com o objetivo de realizar negociações para assinar em 2008 um tratado para a proibição das bombas de fragmentação em todo o mundo.


