Intensos ataques aéreos da Otan contra Belgrado na madrugada de ontem deixaram um hospital em ruínas, mataram três pacientes, danificaram as residências dos embaixadores da Suécia, Noruega e Espanha, e, segundo notícias, causaram danos na embaixada da Líbia.
Bombardeiros da Otan voltaram a sobrevoar a capital na noite de ontem, e fortes explosões foram ouvidas pouco antes de soarem sirenes antiaéreas.
A agência independente de notícias Beta divulgou que aviões da Otan bombardearam um depósito de combustível em Cukarica, no subúrbio de Belgrado. O depósito havia sido alvejado dois dias atrás.
Em meio a notícias de deserções no exército iugoslavo, uma nova rodada de diplomacia começou em Moscou, onde três enviados, da Rússia, Estados Unidos e Finlândia, discutiam um plano de paz.
O presidente Slobodan Milosevic disse que aceita o plano em princípio, mas com um tortuoso caminho diplomático à frente, está exigindo negociações e buscando envolver as Nações Unidas.
Sérias diferenças também persistem entre os autores do plano, a Rússia e os sete países mais industrializados, ou o G-8, sobre como pôr fim ao conflito nos Bálcãs que já deixou cerca de 800 mil albaneses-kosovares desabrigados e centenas de pessoas mortas.
Potências ocidentais estão pressionando por uma retirada total das forças de Milosevic de Kosovo e a entrada na província de uma bem-armada força de paz centrada nas nações da Otan.
Os ataques da madrugada desta quinta-feira foram os mais fortes em Belgrado desde que a embaixada da China foi atingida em 7 de maio, no que a Otan definiu como ‘‘um erro’’, que matou três pessoas e feriu 20.
A Otan não admitiu imediatamente ter atingido o hospital no distrito de Dedinje, onde Milosevic mora e trabalha, e onde existe uma base militar.
Mas a aliança reconheceu que um dos oito mísseis dirigidos para a base saiu 450 metros de curso e atingiu a base de um prédio.
Uma sala de cirurgia, um centro neurológico e uma unidade de tratamento intensivo foram virtualmente demolidos e pacientes, incluindo mulheres grávidas, foram evacuados, informaram a agência de notícias Tanjug e testemunhas.
Quatro pessoas, três pacientes e um guarda de segurança ficaram feridos, disse a ministra sérvia da Saúde, Leposava Milicevic.
Fumaça subia dos restos do centro neurológico, uma estrutura de concreto com a parte de cima explodida. Pacientes lotavam os corredores da ala do hospital.
Imagens da Associated Press Television News mostraram dois corpos no necrotério do hospital - o de uma mulher, com o topo da cabeça ensanguentado e faltando metade de seu braço direito, e de um homem, com a cabeça e face cobertos de sangue.
O complexo militar também foi atingido, e vários veículos foram visto queimando em seu pátio, segundo testemunhas.
A Suécia, que não faz parte das 19 nações da Otan, afirmou que o ataque, que estilhaçou janelas e destroçou uma porta na casa do embaixador, sublinhava a necessidade de se pôr fim à campanha aérea de dois meses contra a Iugoslávia.
Espanha e Noruega, membros da Otan, que já haviam retirado seus embaixadores, divulgaram que seus prédios sofreram danos leves. A Tanjug reportou que a embaixada da Líbia também foi danificada. Não houve feridos.
‘‘Penso que é inaceitável usar explosivos tão poderosos quando você está querendo ser preciso no bombardeio de uma grande cidade’’, disse a ministra do Exterior sueca, Anna lindh.

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