Bombardeios matam ao menos 47 em Homs
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quinta-feira, 09 de fevereiro de 2012
Folhapress 
São Paulo - As forças do governo sírio bombardearam a cidade de Homs, foco da rebelião contra o regime do ditador Bashar al-Assad, e mataram pelo menos 47 ontem, segundo grupos opositores.
''A eletricidade voltou brevemente e pudemos entrar em contato com outros ativistas. Nós contamos 47 mortos desde a meia-noite'', afirmou o opositor Mohammad Hassan por telefone.
Ao menos 18 bebês prematuros morreram ontem após o corte do fornecimento de energia decorrente dos bombardeios em um hospital de Homs, segundo o Conselho Nacional Sírio (CNS), o principal grupo da oposição.
Ainda ontem o grupo Observatório Sírio de Direitos Humanos afirmou que milicianos leais ao presidente Bashar Assad mataram pelo menos 20 civis ao invadirem as casas de três famílias na periferia de Homs.
''Milicianos ligados a Assad invadiram três casas durante a noite e massacraram uma família de cinco pessoas, uma família de sete, em outra casa, e de oito em uma terceira'', disse o dissidente no exílio Rami Abdelrahman, que chefia o Observatório, com sede na Inglaterra. As autoridades sírias não comentaram os relatos.
Segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas, a maioria civis, já morreram na repressão aos protestos na Síria. O governo sírio diz enfrentar a ação de ''terroristas armados'' que, com apoio estrangeiro, tentam desestabilizar o país.
Apoio russo
O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, afirmou ontem que o país não aceitará qualquer forma de interferência na Síria. Ele também pediu que os países do Ocidente se comportem de forma prudente com o aliado árabe.
''Evidentemente condenamos todas formas de violência, venham de onde venham, mas não é necessário se comportar como um elefante em uma loja de porcelanas. Faz-se necessário que os sírios decidam o seu futuro''.
O premiê reafirmou que a Rússia não deixará que o cenário sírio seja o mesmo da Líbia, onde a Otan, a aliança militar do Ocidente, fez uma intervenção antes da queda do ditador Muamar Kadafi, em outubro.
Ele disse ainda que no país do norte da África ''aconteceram e acontecem terríveis excessos, mas ninguém fala deles. Essas são as terríveis consequências da interferência estrangeira''.
Mais cedo, Putin havia pedido ao governo e à oposição na Síria que limitem o uso das armas, e se mostrou contra uma intervenção estrangeira no conflito desse país.
''Devemos ajudar, assessorar na hora de limitar alguns pontos, como por exemplo, que as partes não tenham a possibilidade de usar armas'', afirmou Putin durante uma reunião de líderes religiosos russos, além de enfatizar: ''mas, em nenhum caso, interferir nos assuntos da Síria''.


