O Iraque, que manterá conversações na próxima semana com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pretende exigir a total e imediata suspensão das sanções e o fim da quase diária agressão nas partes sulista e nortista do país, estava desfrutando ontem amplo apoio internacional em vista dos ataques de mísseis dos Estados Unidos e Grã-Bretanha nos arredores de sua capital.
O Iraque parecia determinado a manter a atenção voltada para os ataques aéreos que, segundo Bagdá, mataram três civis e feriram outras 30 pessoas.
Num país onde protestos públicos raramente são espontâneos, têm havido manifestações diárias desde o ataque de sexta-feira. Cerca de 11.000 manifestantes – muitos deles estudantes com uniformes escolares – queimaram hoje bandeiras dos EUA, Grã-Bretanha e Israel e carregaram faixas declarando que a ‘‘agressão não nos amedrontará e as sanções não vão nos ferir’’.
Têm sido constantes nos últimos meses ataques de mísseis anglo-americanos, e mesmo quando o número de vítimas foi maior do que o de sexta-feira, tais protestos foram raros. Mas o ataque de sexta-feira foi o primeiro sinal da nova administração dos EUA de como irá lidar com o Iraque. Tratou-se também do primeiro ataque em vários anos a se aproximar tanto de Bagdá e envolver tantos aviões de combate.
Países que foram partidários-chave da coalizão que expulsou o Iraque do Kuwait há dez anos, como Egito, Turquia, Síria, Jordânia, Espanha e França, têm criticado os últimos ataques aéreos.
O chanceler francês, Hubert Vedrine, considerou o ataque de mísseis de sexta-feira ‘‘sem dúvida, uma demonstração de força’’. ‘‘Acreditamos há muito tempo que não existe base na lei internacional para esse tipo de bombardeio’’, opinou.
A Rússia, que junto com a França tem buscado uma nova política internacional para o Iraque e questionado as sanções, afirmou que os bombardeios foram injustificados.
O deputado russo Vladimir Zhirinovsky, um ultranacionalista e partidário de longa data de Saddam, desembarcou ontem em Bagdá para expressar apoio ao Iraque.
O Ministério do Exterior da Indonésia afirmou ontem num comunicado que os ataques irão apenas fazer aumentar o sofrimento dos iraquianos, reduzidos à miséria pelas prolongadas sanções.

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