Associated Press
De Grozny
Artilharia e tanques russos prosseguiram ontem com intensos bombardeios contra a Chechênia, depois que um ataque aéreo na quinta-feira pegou de surpresa a população de uma vila durante as orações islâmicas de meio-dia, resultando na morte e ferimento de dezenas de civis.
Em Elistanzhi, uma vila montanhosa nas proximidades da fronteira sul da Chechênia, as ruas ficaram repletas de pessoas em prantos ontem, enquanto moradores recolhiam partes de corpos de vítimas do ataque aéreo russo, disseram testemunhas.
Moradores afirmaram que aviões russos bombardearam Elistanzhi, cerca de 65 km a sudeste da capital Grozny, durante as orações islâmicas de meio-dia na quinta-feira, e mantiveram o ataque por mais de duas horas.
O administrador da vila, Ismail Dagayev, afirmou à AP que 32 pessoas foram mortas, incluindo todos os oito integrantes de uma família, cerca de 60 ficaram feridas e umas 200 casas foram destruídas.
Os militares russos se negaram a comentar as acusações.
A Rússia tem garantido que seus ataques contra a Chechênia visam somente militantes islâmicos que por duas vezes invadiram a república vizinha do Daguestão nos últimos meses e são responsabilizados por uma série de atentados a bomba em setembro contra prédios residenciais na Rússia que matou cerca de 300 pessoas.
Mas autoridades chechenas afirmam que centenas de civis já foram mortos, e os moradores de Elistanzhi reforçaram a acusação, dizendo que a vila nunca abrigou militantes.
O ataque aéreo ocorreu depois que cerca de 40 pessoas foram mortas na terça-feira quando tanques russos dispararam contra um ônibus repleto de homens, mulheres e crianças tentando fugir da Chechênia.
O som de intensos disparos de artilharia foram ouvidos ontem nas proximidades das vilas de Bamut e Arshty, ao longo da fronteira ocidental da Chechênia com a Ingushétia, enquanto forças russas continuavam a consolidar posições dentro da república rebelde.
A Rússia afirma que quer impôr uma zona de segurança ao redor da Chechênia a fim de impedir que militantes se infiltrem em regiões vizinhas. Tropas russas já ocupam o terço norte da república, que é relativamente plano e de espaços abertos, e ainda não cruzaram para a parte de florestas e montanhas ao sul do rio Terek.
Na guerra da Chechênia de 1994 a 1996, apesar de em menor número, os combatentes chechenos impuseram uma humilhante derrota ao grande exército russo, parando-o em devastadoras batalhas de rua em Grozny e em ações guerrilheiras nas montanhas.
No fim da guerra em 1996, a Chechênia ainda era formalmente parte da Rússia, mas efetivamente independente. Os chechenos elegeram um presidente e parlamento em 1997. O Kremlin agora se recusa a considerar legítimo o governo checheno e decidiu reconhecer o recém-organizado Conselho de Estado checheno, formado por autoridades russas e membros do amplamente pró-Rússia parlamento checheno eleito em 1996.
O líder do conselho, Malik Saidullayev, afirmou ontem numa entrevista coletiva em Moscou que seu organismo irá prevalecer sobre o governo do presidente checheno Aslen Maskhadov.
Maskhadov, por seu lado, conclamou ontem Moscou a retomar o diálogo ou ‘‘enfrentar a máquina de guerra chechena’’. A oferta aparentemente caiu no vazio.Elistanzhi, uma vila montanhosa no sul da Chechênia, foi atingida durante as orações do meio-dia. Comando russo recusa comentários
France PressePoder bélicoOs aviões russos mantiveram ontem a campanha de intensos bombardeios contra a Chechênia. Moscou recusa diálogo com o governo de Grozny

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