Bomba mata mais 35 em Bagdá
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quinta-feira, 17 de junho de 2004
France Presse 
Bagdá - Faltando apenas duas semanas para a transferência do poder aos iraquianos, um novo atentado com carro-bomba contra um centro de recrutamento do exército iraquiano matou 35 pessoas e feriu outras 138 esta quinta-feira, em Bagdá.
Um primeiro balanço de fontes hospitalares dava conta de 33 mortos e 127 feridos, mas o Ministério da Saúde posteriormente informou o saldo de vítimas oficial e definitivo.
Um camikase, com as mãos amarradas ao volante, foi quem jogou o carro-bomba contra um centro de recrutamento do exército iraquiano, no terceiro atentado do tipo cometido desde domingo passado na capital do Iraque.
O mesmo centro de recrutamento tinha sido alvo, em 11 de fevereiro passado, de um atentado ainda mais sangrento, que custou a vida de 47 iraquianos. ''Foi um carro-bomba. Não sabemos de que marca, pois só restaram o motor e a caixa de câmbio'', declarou Saad Nafaa, um policial que testemunhou a explosão.
''Estava cheio de obuses de artilharia e explodiu diante do centro de recrutamento'', acrescentou, rodeado de jovens iraquianos que choravam.
Pouco depois da explosão, inúmeros corpos destroçados jaziam na calçada em frente ao centro, enquanto os grupos de socorro retiravam os feridos em meio ao caos.
EUA prevêem mais violência - A coalizão dirigida pelos Estados Unidos e as autoridades iraquianas, às quais deve ser transferido o poder no dia 30 de junho, disseram esperar um incremento da violência até essa data.
Depois da transferência da soberania, o novo exército iraquiano deverá desempenhar um importante papel no restabelecimento da segurança, com o apoio da força multinacional dirigida pelos americanos. Anteriormente, várias explosões foram escutadas durante a noite de quarta e madrugada de quinta em Bagdá, mas sem registro de danos, segundo fontes militares americanas.
Na quarta-feira, 10 pessoas perderam a vida, incluindo três soldados americanos, em diferentes ataques da guerrilha. Na segunda e na terça-feira, uma onda de atentados contra o setor petroleiro provocou a suspensão das exportações e custou a vida do chefe da segurança da Companhia de Petróleos do Norte, Ghazi Talabani, assassinado em Kirkuk (norte). Trata-se do terceiro assassinato de um alto funcionário desde o dia 12 de junho.
Por outra parte, mais de nove iraquianos em cada 10 consideram os soldados da coalizão como ''ocupantes'' e uma grande maioria deles estima que seu país seria mais seguro se ''essa gente fosse embora'', segundo uma pesquisa encomendada pela Autoridade Provisória da Coalizão (CPA).
As conclusões desta pesquisa mostram uma forte degradação da imagem das instituições instaladas pelos americanos depois da queda do regime de Saddam Hussein.
Somente 11% dos iraquianos dizem ter confiança na CPA, contra 47% em novembro do ano passado, de acordo com esta pesquisa realizada com 1.097 pessoas no período de 14 a 23 de maio, depois da explosão do escândalo das torturas aplicadas pelos soldados americanos nos detentos iraquianos da prisão de Abu Ghraib.
De qualquer modo, embora 41% queiram que os ocupantes partam imediatamente, 45% só desejam que essa partida aconteça depois da eleição de um governo permanente.


