Bomba iraquiana com urânio brasileiro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de setembro de 2002
Agência Folha 
São PauloUm cientista iraquiano dissidente afirmou que o Iraque pode ter condições de fabricar a bomba atômica dentro de alguns meses, usando centrífugas com tecnologia alemã pirateada e urânio contrabandeado do Brasil, segundo a edição de ontem do jornal britânico ''The Times''.
Khidir Hamza, que foi conselheiro do programa iraquiano de energia atômica e mais tarde ajudou a desenvolver o programa da bomba atômica até desertar, em 1994, acredita que o regime de Saddam Hussein conseguiu copiar uma centrífuga alemã e usá-la para enriquecer urânio, elemento usado nas bombas. Ele não disse como o urânio brasileiro havia chegado ao país.
A centrífuga alemã foi desmantelada pelos inspetores de armas da ONU (Organização das Nações Unidas) antes que eles deixassem o Iraque, em 1998. Mas Hamza disse ao ''Times'' que os cientistas locais estudaram seu funcionamento e conseguiram fazer cópias.
''Fizemos vídeos de sua montagem, por isso podíamos construir outras idênticas'', afirmou. ''Quando os inspetores levaram a original embora, já tínhamos o know-how. Acho que deve haver centenas de cópias hoje''. Citando ''especialistas'', o jornal diz que a centrífuga levaria entre quatro e sete anos para produzir material radiativo suficiente para uma bomba. Segundo Hamza, essa operação deve ter começado quando os inspetores deixaram o Iraque, ou mesmo um pouco antes.
No dia 24, o governo britânico deve apresentar ao Parlamento um dossiê sobre as atividades bélicas de Saddam.


