Bomba de grafite, nova arma da Otan
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segunda-feira, 03 de maio de 1999
ANSA 
Uma bomba que explode no ar lançando pó de grafite sobre as centrais elétricas não permitindo que elas funcionem, mas não as destruindo, é, segundo várias fontes, a arma usada pela primeira vez por aviões da Otan para provocar o gigantesco blecaute que lançou na escuridão por várias horas Belgrado e grandes partes da Sérvia.
Na Otan se limitam a falar de uma arma especial, mas as bombas de grafite são as últimas protagonistas dos ataques cada vez mais duros da aliança contra Slobodan Milosevic.
Segundo especialistas, essa bomba de grafite é uma versão melhorada da bomba que foi usada pela primeira vez em 1991, na Guerra do Golfo, para obstruir o sistema energético do Iraque. A bomba guiada por satélite contém centenas de quilos de grafite em pó com carga explosiva. Um altímetro pode ser usado para detonar a bomba a uma certa altura sobre uma central elétrica, espalhando o grafite sobre centenas de metros.
Como o grafite é um condutor, seu pó produz curtos-circuitos que causam danos permanentes nos equipamentos da estação e queimam vários importantes componentes. Cinco centrais elétricas sérvias - a de Obrenovac, que alimenta Belgrado, de Kostolac, Nis, Novi Sad e Bajina Basta - foram alvos dos aviões da Otan durante a noite de domingo, recebendo nuvens de pó que as desativaram.
O blecaute virtualmente paralisou o país, criando grandes problemas também para a população civil, mas as instalações ficaram intactas. Para fazê-las voltar a funcionar é necessário limpar a camada de grafite que provocou os curtos-circuitos. É um trabalho que exige muitas horas.
A Otan, disse o porta-voz Jamie Shea, lamenta os problemas criados à população civil. Queremos enviar uma mensagem ao regime de Milosevic, não ao povo sérvio, explicou. Shea sugeriu que a ação pode ser repetida. Estamos com a mão no interruptor das centrais sérvias, ironizou.


