Bolsonaro completa 15 dias sem reconhecer vitória de Biden nas eleições presidenciais dos EUA


MATHEUS TEIXEIRA
MATHEUS TEIXEIRA

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) completa neste domingo (22) quinze dias sem reconhecer a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

O chefe do Executivo brasileiro é aliado de Donald Trump, atual chefe da Casa Branca e derrotado no pleito deste ano, e ainda não procurou o vencedor da disputa nem comentou a vitória do partido democrata.



Biden foi declarado vencedor em 7 de novembro após projeções da imprensa americana indicarem que ele atingiu os votos necessários para ser eleito no Colégio Eleitoral -- o sistema indireto que define a Presidência nos EUA.

Desde então, Biden já recebeu cumprimento de líderes mundiais, inclusive de aliados de Trump, como os premiês do Reino Unido (Boris Johnson) e de Israel (Binyamin Netanyahu), mas Bolsonaro não fez o mesmo e preferiu não desagradar o aliado.

O atual presidente americano tem afirmado que é vítima de uma fraude. Ele tenta deslegitimar o resultado das urnas e busca reverter o resultado na Justiça.

As ações judiciais visam evitar a certificação da totalização de votos de cada estado que resulta na escolha dos delegados a serem indicados pelas unidades da federação. Esses representantes são os responsáveis por escolher o novo presidente.

A tentativa do republicano, porém, não prosperou em estados como Geórgia, Michigan e Arizona, reduzindo as chances de reversão de resultado e consolidando a maioria de Biden no Colégio Eleitoral.

Desde a vitória de Biden, Trump publicou ou compartilhou mais de 400 mensagens na rede social Twitter. O mais perto que chegou de admitir a derrota foi em tom crítico ao afirmar que Biden "ganhou porque as eleições foram fraudadas".

Enquanto Bolsonaro evita falar sobre os Estados Unidos, o vice-presidente, Hamilton Mourão, já comentou o caso. Em entrevista à Rádio Gaúcha, ele disse que, "como indivíduo" julga que a vitória de Biden está "cada vez mais irreversível".

Bolsonaro participou neste fim de semana de reunião da cúpula do G20 e novamente evitou comentar a situação americana.

Ele usou o encontro para tentar dar uma resposta à pressão internacional sofrida pelo governo na política ambiental, dizendo que mais da metade do território brasileiro tem vegetação nativa preservada e que o país vai "continuar protegendo" seus biomas.

O chefe do Executivo defendeu um debate com dados concretos, sem demagogia, e disse sofrer ataques de nações menos sustentáveis.

O discurso de Bolsonaro foi visto como uma tentativa de antecipar o debate que deve ganhar força com a ascensão de Biden ao comando dos EUA.

Em um debate no fim de setembro, o democrata anunciou que arrecadará US$ 20 bilhões para proteger a Amazônia e disse que, se o Brasil não parar com o desmatamento na região, "vai enfrentar consequências econômicas significativas".

No último dia 10, quando a vitória de Biden já estava sacramentada, Bolsonaro não citou nominalmente o democrata, mas o rebateu.

"Assistimos há pouco a um grande candidato à chefia de Estado dizer que, se eu não apagar o fogo da Amazônia, levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, não é, Ernesto [Araújo, chanceler]? Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão não funciona", disse o presidente brasileiro.



Nos últimos dias, o fato de a recontagem dos votos ter confirmado a vitória de Biden na Geórgia, estado que os democratas não venciam desde 1992, consolidou ainda mais o resultado do pleito.

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