Bolivianos querem nacionalizar lei dos combustíveis
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segunda-feira, 16 de maio de 2005
Emilia Bertolli<br> Folhapress 
São Paulo - Mais de 10 mil pessoas saíram ontem às ruas da capital boliviana, La Paz, para exigir reformas na Lei de Hidrocarbonetos, aprovada há dez dias pelo Parlamento boliviano. Os manifestantes tentaram invadir a sede do Congresso na capital, mas foram barrados pelos policiais.
Uma barreira formada por seguranças se posicionou a 200 metros da Praça de Armas, onde manifestantes indígenas, camponeses e sindicalistas em sua maioria tentaram furar o bloqueio e chegar até a praça Murillo, fortemente policiada, inclusive por militares.
A polícia usou jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, e muitos policiais cercaram os prédios do governo na capital. Todas os funcionários foram retirados, e uma reunião prevista para acontecer ontem no Congresso foi cancelada.
Os protestos sociais são liderados pela Central Operária Regional e a Federação de Juntas Vicinais de El Alto, foco de uma insurreição popular pôs fim ao governo do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, substituído por Carlos Mesa.
A manifestação fez com que todos os estabelecimentos comerciais da capital fechassem suas portas, paralisando por completo o tráfego de veículos na região oeste da capital. Manifestantes ao norte de La Paz também fizeram bloqueio nas ruas. ''O centro da cidade está totalmente congestionado; há diferentes grupos espalhados'', afirmou o comandante da polícia local, Víctor Chávez.
O Movimento ao Socialismo (MAS), liderado pelo cocalero Evo Morales, iniciou também ontem um protesto em Caracollo (190 km de La Paz), e deve chegar à capital na próxima segunda-feira. O MAS e outras organizações sindicais assinaram no último dia 9 um pacto de união.
Outro grupo iniciou uma caminhada a pé da cidade de Cochabamba (400 km a leste de La Paz), para unir-se aos protestos comandados por Morales. O presidente Mesa estava reunido a portas fechadas com seus ministros no Palácio Quemado, fortemente protegido pela polícia.
Os protestos têm por objetivo exigir reformas na Lei de Hidrocarbonetos, aprovada há dez dias pelo governo, e que estipula o aumento da tributação sobre as multinacionais que exploram gás no país. Os manifestantes também pedem pela realização de um referendo sobre a autonomia do departamento de Santa Cruz.
Em janeiro deste ano, uma assembléia popular criou um governo local autônomo provisório para Santa Cruz, maior pólo econômico da Bolívia. Apesar de os oposicionistas concordarem com exigência de reformas na lei na reta final de sua aprovação, os grupos diferem em seus objetivos.
A Central Operária demanda a nacionalização total da exploração do gás, enquanto que o MAS quer que os contratos atuais sejam cancelados, e novos sejam feitos, dando mais controle ao Estado sobre a exploração. Para Morales, o presidente Mesa é o responsável pela ''divisão do país'', (referindo-se ao referendo de Santa Cruz) e pelo atraso na aprovação final da Lei de Hidrocarbonetos, ''negando-se a aceitar os 50% de benefícios para os bolivianos e defendendo os interesses das empresas petroleiras''.


