La Paz Uma multidão de manifestantes convergia ontem de diversos pontos rumo ao centro de La Paz, gritando pela renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, a quem a oposição quer processar por mais de 80 mortes em seu governo em um mês de conflito social. É a primeira reação popular de rejeição às medidas que Sánchez de Lozada propôs quarta-feira para pacificar o país com a convocação de um plebiscito, que consideram insuficiente para definir o futuro do gás natural. Seis colunas de manifestantes, que podem totalizar cerca de 20 mil pessoas, se juntavam desde diversos pontos da cidade. A polícia e o exército mantinham prudente distância e evitavam choques com os participantes.
Encastelado, o presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Lozada, por sua vez, qualificou ontem de ''terroristas' os líderes da oposição e disse que o movimento de protestos em seu país, exigindo sua renúncia, pretende impor uma ''narcoditadura'. ''Se tiver êxito este movimento subversivo, a droga será a única e principal exportação da Bolívia, e o país se converterá em um campo de batalha, o que estou tentando impedir'', disse Sánchez de Lozada a jornalistas de diversos países.
Além dos mortos, os confrontos na Bolívia paralisaram o país e isolaram Sánchez de Lozada, um defensor do livre mercado que assumiu em agosto de 2002 (já havia governado entre 1993 e 1997) e que enfrentou a oposição nos últimos meses ao promover a exportação de gás em condições consideradas por seus adversários desvantajosas para a nação andina. Agora, que o presidente se mostra disposto a realizar consultas populares sobre o delicado tema do gás, a oposição exige sua renúncia.
Sánchez de Lozada anunciou na noite de anteontem que a coalizão que governa o país chegou a um acordo para a realização de um referendo sobre a exportação de gás, origem da convulsão social que sacode a Bolívia há semanas. Ele também revisará a lei de combustíveis, ''em um processo acertado com as companhias de petróleo'', e promoverá a incorporação da figura da ''Assembléia Constituinte ao regime constitucional''.
Logo após o anúncio, o líder opositor Evo Morales e o chefe indígena Felipe Quispe consideraram insuficiente a proposta e reafirmaram sua exigência de renúncia de Sánchez de Lozada. Morales e Quispe disseram que a única saída para a crise é a renúncia do presidente. A proposta foi qualificada de ''brincadeira'' pelos dois opositores.
A Central Operária Boliviana (COB) também rejeitou a proposta do governo, que qualificou de ''chantagem com o povo boliviano'', segundo o líder sindical Jaime Solares. As novas propostas foram apresentadas pelo presidente em rede nacional de rádio e televisão, após intensas reuniões na quarta-feira com os dirigentes da Nova Força Republicana (NFR/centro direita) e do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR/social democrata), que integram a aliança de governo.

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