Bolivianos marcham para La Paz; oposição é terrorista, diz Lozada
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quinta-feira, 16 de outubro de 2003
Das Agências 
La Paz Uma multidão de manifestantes convergia ontem de diversos pontos rumo ao centro de La Paz, gritando pela renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, a quem a oposição quer processar por mais de 80 mortes em seu governo em um mês de conflito social. É a primeira reação popular de rejeição às medidas que Sánchez de Lozada propôs quarta-feira para pacificar o país com a convocação de um plebiscito, que consideram insuficiente para definir o futuro do gás natural. Seis colunas de manifestantes, que podem totalizar cerca de 20 mil pessoas, se juntavam desde diversos pontos da cidade. A polícia e o exército mantinham prudente distância e evitavam choques com os participantes.
Encastelado, o presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Lozada, por sua vez, qualificou ontem de ''terroristas' os líderes da oposição e disse que o movimento de protestos em seu país, exigindo sua renúncia, pretende impor uma ''narcoditadura'. ''Se tiver êxito este movimento subversivo, a droga será a única e principal exportação da Bolívia, e o país se converterá em um campo de batalha, o que estou tentando impedir'', disse Sánchez de Lozada a jornalistas de diversos países.
Além dos mortos, os confrontos na Bolívia paralisaram o país e isolaram Sánchez de Lozada, um defensor do livre mercado que assumiu em agosto de 2002 (já havia governado entre 1993 e 1997) e que enfrentou a oposição nos últimos meses ao promover a exportação de gás em condições consideradas por seus adversários desvantajosas para a nação andina. Agora, que o presidente se mostra disposto a realizar consultas populares sobre o delicado tema do gás, a oposição exige sua renúncia.
Sánchez de Lozada anunciou na noite de anteontem que a coalizão que governa o país chegou a um acordo para a realização de um referendo sobre a exportação de gás, origem da convulsão social que sacode a Bolívia há semanas. Ele também revisará a lei de combustíveis, ''em um processo acertado com as companhias de petróleo'', e promoverá a incorporação da figura da ''Assembléia Constituinte ao regime constitucional''.
Logo após o anúncio, o líder opositor Evo Morales e o chefe indígena Felipe Quispe consideraram insuficiente a proposta e reafirmaram sua exigência de renúncia de Sánchez de Lozada. Morales e Quispe disseram que a única saída para a crise é a renúncia do presidente. A proposta foi qualificada de ''brincadeira'' pelos dois opositores.
A Central Operária Boliviana (COB) também rejeitou a proposta do governo, que qualificou de ''chantagem com o povo boliviano'', segundo o líder sindical Jaime Solares. As novas propostas foram apresentadas pelo presidente em rede nacional de rádio e televisão, após intensas reuniões na quarta-feira com os dirigentes da Nova Força Republicana (NFR/centro direita) e do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR/social democrata), que integram a aliança de governo.


