Bolivianos estocam alimentos por medo de distúrbios nas eleições presidenciais


SYLVIA COLOMBO
SYLVIA COLOMBO

LA PAZ, BOLÍVIA (FOLHAPRESS) - A possibilidade de que existam distúrbios sociais após o fechamento das urnas neste domingo (18) levou muitos bolivianos a comprarem alimentos em quantidades extras e abastecerem seus veículos de combustível nos últimos dias. O país escolhe seu novo presidente neste fim de semana.

No bairro de classe média de Socopachi, em La Paz, havia filas de carros em vários postos, na sexta (16) à noite. Embora não haja relatos de desabastecimento até o momento, ainda assim houve aglomeração por conta da alta procura. "Estou há uma hora, tentei em outras duas estações da zona sul, mas aqui a fila está menor", relatou Andrés Otoquendo, 42.



Em mercados de comida na região central, também havia grande busca de produtos. "Nas últimas eleições tem sido assim, as pessoas sabem que o comércio pode fechar, ou por causa da confusão, ou porque os próprios comerciantes têm medo de que possa haver violência. Então, é melhor se preparar", diz Catalina Rubiño, 54, dona de uma mercearia.

O governo tomou precauções para que as eleições ocorram de forma pacífica. Há restrição de mobilidade no dia da votação -não há transporte público, e veículos particulares só podem circular com permissão ou se forem de serviços de saúde, observadores internacionais ou jornalistas.

Além disso, neste sábado haverá toque de recolher a partir das 16h. A venda de bebidas alcoólicas está proibida desde sexta.

Houve confusão no aeroporto de El Alto com relação a uma comitiva de observadores argentinos convidados pelo MAS -o Movimento ao Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales-, que foram impedidos de entrar no país.

Embora a eleição tenha uma delegação internacional já designada, formada pela OEA, o Centro Carter, a União Europeia e as Nações Unidas, o MAS convidou figuras políticas latino-americanas para que façam parte da observação do processo.

O partido havia convidado a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que recusou, mas mandou dois senadores, Leonardo Grosso e Federico Fagioli. Eles foram inicialmente detidos em sua tentativa de entrar no país, mas em seguida puderam ingressar.

O ministro de governo, Arturo Murillo, disse que pessoas que "entrem no país com a suposta explicação de que vão observar as eleições, mas que estejam atuando para ajudar o MAS, serão deportadas imediatamente".

A relação do atual governo boliviano com o argentino é ruim. O presidente da Argentina, Alberto Fernández, não reconhece o governo interino de Jeanine Añez, e este critica a Argentina por abrigar Evo Morales, um fugitivo da Justiça boliviana, em seu território.



Evo, por sua vez, afirmou que, se o candidato do MAS, Luis Arce, vencer no primeiro turno, ele virá à Bolívia já na segunda-feira (19).

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