La PAZ - A Bolívia retornou à calma, ontem, depois dos agitados dias de protesto que culminaram com a renúncia de Gonzalo Sánchez de Lozada à Presidência e a posse do jornalista e historiador Carlos Mesa como seu sucessor.

As ruas de La Paz começaram a ficar livres das barricadas de pedras e lixo que bloquearam durante a última semana o trânsito, enquanto voltaram a circular ônibus e táxis, que estavam em greve para exigir a saída de Sánchez de Lozada.

O novo presidente boliviano, Carlos Mesa, antecipou que incluirá representantes indígenas em seu gabinete ministerial, e anunciou que trabalhará para convencer os bolivianos da importância da exportação de gás, em declarações à rádio colombiana Caracol.

''O conceito é que encontremos, e estamos trabalhando para isso, homens e mulheres profissionais, representantes do mundo indígena, que tenham a condição e a capacidade para levar adiante uma gestão de gabinete e de governo adequada'', disse Mesa.

Segundo fontes do aeroporto de El Alto, espera-se que as atividades do terminal se restabeleçam paulatinamente durante o dia, após permanecer fechado aos vôos comerciais desde o último domingo.

Centenas de turistas que tinham permanecido bloqueados durante a última semana em La Paz fizeram fila desde cedo nos boxes das empresas aéreas.

Lozada - O ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada chegou ontem a Miami, após renunciar ao cargo na noite de sexta-feira, informou à AFP Moisé Garmusz Levy, cônsul geral boliviano.

Sánchez de Lozada chegou a Miami às 5h locais e de onde partiria, horas depois, para Washington, segundo Levy.

O ex-mandatário boliviano viaja com sua esposa, uma filha e outros quatro familiares, além de seus principais colaboradores, os agora ex-ministros de Governo (Interior), Yerko Kukoc, de Defesa, Carlos Sánchez Berzaín, e da Saúde, Javier Tórrez Goitia.

Sánchez de Lozada renunciou sexta-feira à Presidência da Bolívia sob pressão
popular, após cumprir apenas 14 meses de um mandato de cinco anos.

O Congresso boliviano designou o vice-presidente Carlos Mesa para a primeir magistratura, depois de uma onda de protestos de um mês, que causou mais de 80 mortos.

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