La Paz- Soldados e policiais da Bolívia resgataram ontem três ministros que estavam como reféns dos habitantes de Puerto Suárez, na fronteira com o Brasil, informou o porta-voz presidencial, Alex Contreras.
O presidente boliviano, Evo Morales que estava em Assunção ontem com seus colegas de Venezuela, Hugo Chávez, Uruguai, Tabaré Vázquez, e Paraguai, Nicanor Duarte disse que não tem medo dos manifestantes que sequestraram três de seus ministros, e reafirmou sua determinação de expulsar ''estas máfias integradas por empresas ilegais criadas em países vizinhos''.
Foram detidos pela população de Puerto Suárez, na fronteira com o Brasil, na noite de terça-feira os ministros do Planejamento, Carlos Villegas; Desenvolvimento Econômico, Celinda Sosa, e Mineração, Walter Villarroel. Eles foram detidos para pressionar o governo de Morales a conceder uma licença ambiental para a siderúrgica brasileira EBX.
Segundo Contreras, o resgate não causou danos aos ministros, nem aos que mantinham as autoridades detidas nesse povoado de 14 mil habitantes, e os ministros embarcaram em um avião às 4h (5h de Brasília) rumo a La Paz.
Os habitantes de Puerto Suárez exigiam uma licença ambiental para a empresa siderúrgica MMX, filial da brasileira EBX, cujas atividades o governo boliviano considera ilegais.
O presidente reafirmou que seu governo defenderá os recursos naturais que são explorados por estranhos para trazer pobreza e miséria ao povo. ''Agora isto acabou''. ''Quem quiser ser nosso sócio, será bem recebido, mas há empresas e famílias que querem deter esta revolução democrática que estamos fazendo''.
A EBX está instalando fornos de fundição à base de carvão vegetal como parte de um projeto de exploração das jazidas de ferro de El Mutún, ainda em estudo. El Mutún possui quase 40 bilhões de toneladas de ferro e 10 bilhões de toneladas de magnésio.
O processo de licitação de Mutún, iniciado no governo anterior, foi suspenso pela administração do presidente Evo Morales, que também decidiu rever a licença ambiental da empresa brasileira. A EBX opera na Bolívia com base em acordos assinados com as autoridades da região antes da conclusão do processo licitatório.
O governo boliviano considera que a empresa comete uma série de irregularidades nas áreas ambiental e política e se recusa a negociar nesta situação, já que a EBX se baseia em acordos estabelecidos apenas com as autoridades locais.

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