BOLÍVIA - Morales terá que dialogar com oposição separatista
Apesar de sua ampla vitória no referendo que consolidou seu mandato, o presidente socialista boliviano Evo Morales terá que negociar com a oposição separatista, que também saiu fortalecida do plebiscito. Os resultados do referendo revogatório de domingo na Bolívia, um país de dez milhões de habitantes, confirmaram o primeiro presidente de origem indígena da nação andina com mais de 63% dos votos, mas também os governadores das províncias separatistas, que ganharam mais apoio em suas regiões respectivas. Já na noite de domingo, Morales se declarou disposto a dialogar sobre o projeto de Constituição com os governadores. Pela primeira vez, ele (Evo Morales) mudou o tom e promoveu a opção do diálogo, comentou Hervé Do Alto, especialista francês em ciências políticas estabelecido em La Paz. O diálogo entre o governo socialista e a oposição, liberal e conservadora, está totalmente bloqueado há mais de seis meses sobre os temas sensíveis que são o projeto de nova Constituição, as autonomias regionais e a redistribuição do imposto sobre os hidrocarbonetos (IDH), a principal fonte de renda da Bolívia, o país mais pobre da América do Sul. Para Franck Poupeau, sociólogo do Instituto francês de estudos andinos (IEFA) baseado em La Paz, o diálogo entre o presidente e os governadores será complicado, sobretudo com Ruben Costas, o poderoso governador de Santa Cruz, a província mais rica da Bolívia, que pronunciou na noite de domingo um violento discurso contra o chefe de Estado. Ruben Costas chegou a anunciar a aplicação imediata de duas medidas previstas no estatuto de autonomia: a criação de um escritório dos impostos e de uma força de polícia regional.
- Localizado na América do Sul, tem como capitais Sucre (constitucional) e La Paz (administrativa). É um país sem litoral, com grande pobreza e baixos índices sociais. Também possui a segunda maior reserva de gás natural do continente, apenas superado pela Venezuela
- Compostos químicos formados por carbono e hidrogênio. A partir deles é possível produzir velas (parafina), plásticos, borracha e combustíveis
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