Associated Press
De Uribe, Colômbia
Em um rústico cenário de uma quadra de basquete, coberta com telhas de zinco, delegados do governo do presidente Andrés Pastrana e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) iniciarão amanhã históricas negociações destinadas a pôr fim aos 35 anos de conflito armado.
Cerca de 250 pessoas – negociadores de ambas as partes, funcionários governamentais e jornalistas – começaram a chegar a este povoado para assistir a uma sóbria cerimônia inaugural na qual só haverá dois discursos: o do Alto Comissário para a Paz, Víctor G. Ricardo e a do comandante Raúl Reyes, um dos três negociadores das Farc.
Milhares de camponeses dos arredores também assistirão à cerimônia. ‘‘Nós nos identificamos com o anseio pela paz e esperamos que este processo chegue a um término feliz’’, disse à AP o prefeito Fabián Carrillo.
As Farc, que representam 70% do movimento guerrilheiro da Colômbia, impuseram severas medidas de segurança com centenas de homens armados para proteger seus delegados, enquanto a autoridade do estado estará representada pelo prefeito e 30 policiais.
‘‘Este é um povoado muito isolado e isto facilita a segurança, mas em alguns locais de entrada fomos obrigados a reforçar a vigilância por causa da presença de grupos paramilitares’’, disse ontem à AP Pedro Aldana, um dos delegados das Farc.
Os paramilitares, que combatem a guerrilha, prometeram que não vão sabotar as negociações de paz e que deixarão as armas se houver um acordo que coloque fim ao longo conflito que já matou 70 mil pessoas e arruinou a economia.
Diante da negociação, ‘‘o que deve ser esclarecido, não apenas aos colombianos, mas à comunidade internacional também, é que este é um processo extremamente longo’’, disse aos jornalistas o comandante Raúl Reyes, um dos três negociadores das Farc e um dos sete membros da cúpula que chefia o grupo rebelde.
Sobre a mesa de debates vai estar uma extensa agenda de 12 capítulos nos quais tudo é negociável, exceto a soberania nacional, a integridade territorial e o sistema democrático, segundo afirma um dos negociadores do governo, Fabio Valencia.
As negociações vão ter início na segunda-feira, quando cinco delegados do governo e três da guerrilha selecionarem os pontos que serão negociados.

mockup