Bogotá protestará na OEA por falas de Ortega sobre Farc
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quinta-feira, 17 de julho de 2008
Folhapress 
São Paulo - No primeiro e já esperado ato do novo chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, Bogotá enviou nota à Nicarágua desautorizando o presidente do país, Daniel Ortega, de manter conversações com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) ou qualquer outro grupo guerrilheiro.
O comunicado, enviado à Chancelaria nicaragunse momentos depois da cerimônia de posse de Bermúdez, que desde ontem substitui Fernando Araújo, acusa o sandinista de ''ingerência em assuntos internos''.
A nota protesta especificamente contra declaração de Ortega, que anteontem chamou os guerrilheiros de ''irmãos''. Diz que Bogotá apresentará o caso na OEA (Organização dos Estados Americanos) por tratar-se de expressões que violam a letra e o espírito da convenção interamericana contra o terrorismo''. A OEA, porém, não trata as Farc como grupo terrorista, nomenclatura adotada por EUA e Colômbia.
Nesta semana, foi divulgada carta das Farc na qual os guerrilheiros pedem uma reunião com Daniel Ortega para tratar de temas de ''paz e de guerra''.
O sandinista disse ontem que aceitava ser o interlocutor. ''Nós temos toda a disposição de contribuir para esse processo de paz e respondemos aos irmãos das Farc que sim'', disse ele.
A rejeição colombiana era uma questão de tempo: Ortega é um crítico frequente do governo Álvaro Uribe e, depois do exitoso resgate de Ingrid Betancourt e mais 14 reféns, Bogotá dispensou até a mediação européia e disse que buscará contato direto.
A disposição de Ortega de tratar temas externos aparece quando ele enfrenta multitudinários protestos que pedem sua renúncia e o fim do pacto com a direita, que há colocado siglas na clandestinidade.


