Associated Press
De Bogotá
O comandante das Forças Militares colombianas, general Fernando Tapias, garantiu ontem que as tropas governamentais tinham dominado a sangrenta ofensiva lançada pela guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há cinco dias, em 10 dos 32 departamentos (províncias) do país. De acordo com números divulgados pelas autoridades do governo, mais de 250 pessoas - na maioria, rebeldes - morreram nesses ataques, que mobilizaram entre 12 mil e 15 mil guerrilheiros. Como a força das Farc é estimada em 17 mil combatentes, as operações dos últimos dias foram consideradas pelos militares como uma ‘‘ofensiva total’’.
Tapias qualificou a série de ataques como ‘‘a maior e a mais irracional’’ ofensiva do grupo rebelde em suas quase quatro décadas de existência. De acordo com o militar, as operações guerrilheiras foram lançadas da área de 42 mil quilômetros quadrados desmilitarizada pelo governo na região de Uribe, nas florestas do sul do país, para permitir a abertura de negociações de paz com com os rebeldes. A Força Aérea colombiana bombardeou no sábado uma coluna guerrilheira que retornava à zona desmilitarizada depois de lançar ataques em outras regiões do país.
De acordo com analistas, os avanços das Farc têm como objetivo demonstrar força às vésperas das decisivas reuniões de paz com o governo marcadas para o dia 20. Defensor inflexível do prosseguimento do diálogo, o presidente colombiano, Andrés Pastrana, evitou fazer comentários sobre a escalada de violência promovida pela guerrilha. Pastrana tem sido criticado, principalmente por alguns militares, por ter concordado em negociar a paz com as Farc sem exigir da guerrilha um compromisso de cessar-fogo.
‘‘Os rebeldes estão explorando a boa-fé do governo e dos cidadãos colombianos, que lhes deram garantias para que negociassem a paz’’, acusou Tapias. ‘‘Mas a guerrilha tem usado essas garantias para armar uma máquina de guerra.’’
Desconfiado das reais intenções da guerrilha, o governo dos EUA exortou ontem as Farc a parar com os ataques e iniciar negociações de paz ‘‘substanciais e reais’’ com o governo colombiano.

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