France Presse,
de Boston
DESESPEROO Boeing 767
(foto ao lado) desapareceu sem que a cabine tenha feito qualquer comunicação pelo rádio. No aeroporto do Cairo,
várias pessoas desmaiaram ao ser anunciada a lista de passageirosUm Boeing 767 da EgyptAir, que voava entre Nova York e Cairo com 214 pessoas a bordo, caiu no mar em frente à costa nordeste dos Estados Unidos ontem de madrugada, pouco depois de decolar. Muitos destroços e vários corpos de vítimas já foram encontrados a 100 quilômetros ao sudeste da Ilha Nantucket, na costa de Massachusetts, informou ontem à tarde a Guarda-Costeita dos EUA.
As autoridades americanas afirmaram que não dispõem de qualquer informação sobre as circunstâncias da tragédia mas, a TV americana Fox News noticiou durante o dia que as telas de radar detectaram fragmentos nos ar, o que apóia a suspeita de uma explosão em vôo.
No entanto, o vôo 990 da EgyptAir não tinha recebido nenhuma ameaça, indicou a polícia de transportes de Nova York. No Cairo, o ministro dos transportes egípcio, Ibrahim El Dumeiri, descartou qualquer implicação terrorista na tragédia.
Na área do acidente, assentos, coletes salva-vidas e outros pequenos objetos ‘‘não identificados’’ foram achados por uma lancha que se encontrava no local, a 90 quilômetros ao sudeste da ilha de Nantucket. Existem ‘‘possibilidades’’ de sobreviventes, devido à temperatura relativamente elevada da água no lugar da catástrofe, indicou ontem o chefe da guarda-costeira. As operações de busca prosseguiam ontem. A profundidade na área varia entre 60 e 80 metros.
O avião transportava 214 pessoas, das quais 15 tripulantes, segundo a EgyptAir. Um chileno, 129 americanos e 62 egípcios se achavam a bordo, disse Ibrahim El Dumeiri.
O avião, que tinha decolado do aeroporto John F. Kennedy às 1h19 locais com duas horas e 20 minutos de atraso, desapareceu dos radares às 2 horas locais (5 horas de Brasília), precisou a Administração Federal da Aviação (FAA). Este desaparecimento coincidiu exatamente com a mudança de hora nos Estados Unidos.
‘‘Às 2h15 (5h15 de Brasília), a FAA nos alertou para nos dizer que os controladores haviam perdido o contato de rádio e que o aparelho havia desaparecido das telas do radar’’, declarou um chefe da guarda-costeira, Todd Purgen.
O contato se perdeu quando o avião acabava de passar à altitude de 33.000 pés (quase 11.000 metros). As condições meteorológicas na costa leste dos Estados Unidos eram boas ontem por volta das 2 horas. Em terra, entretanto, a visibilidade estava reduzida 800 metros no aeroporto Kennedy na noite de sábado para domingo, devido a uma espessa neblina, segundo o boletim meteorológico aeronáutico.
As famílias e os amigos dos passageiros que se achavam em Nova York foram informados da descoberta dos fragmentos do avião. Essas famílias, que estão ‘‘chocadas’’, segundo o capelão do aeroporto, padre James Devine, têm o acompanhamento de psicólogos e da Cruz Vermelha.
No aeroporto do Cairo, a dor e a impotência foram lentamente invadindo as famílias dos passageiros e da tripulação do Boeing, as quais esperam informações sobre o acidente.
O presidente americano, Bill Clinton, foi informado da queda do Boeing e pediu à administração americana que coopere com as autoridades egípcias, indicou um alto funcionário da Casa Branca.
A FAA desmentiu que o Boeing 767 da EgyptAir, que havia saído de Los Angeles (sudoeste), tivesse feito uma aterrissagem forçada na base aérea militar de Edwards na Califórnia, antes de se dirigir a Nova York.
O último acidente de um avião de linha comercial em frente à costa leste dos Estados Unidos ocorreu a 17 de julho de 1996, com a explosão em vôo de um Boeing 747 da companhia americana TWA perto da ilha de Long Island (Nova York), na qual morreram 230 pessoas.
O avião de turismo de John Kennedy Jr também caiu no mar na mesma área em julho passado.
No Cairo, o presidente da Egyptair, Mohamed Fahim Rayyan, disse que queria determinar o vínculo entre a catástrofe de ontem e os acidentes do avião da TWA e do de John F. Kennedy Jr. ‘‘O local do acidente (do Boeing da EgyptAir) é o mesmo do acidente da TWA e do avião do filho do presidente Kennedy. É estranho’’, declarou.

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