Boca-de-urna dá vitória para Sharon
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quarta-feira, 07 de fevereiro de 2001
Associated Press De Jerusalém 
O ex-general linha-dura Ariel Sharon fez jus, ontem, ao seu apelido de O Buldôzer, com pesquisas de boca-de-urna projetando uma esmagadora vitória sua sobre Ehud Barak, cujas esperanças de paz foram afogadas por um dos maiores confrontos entre israelenses e palestinos, em décadas.
Partidários de Sharon no comitê de campanha em Tel Aviv explodiram em alegria, gritando, aplaudindo, tocando cornetas e agitando bandeiras azuis e brancas, quando os resultados das pesquisas de boca-de-urna foram anunciados. Eles aguardavam a triunfante chegada do ex-general.
É o fim de Oslo, gritavam alguns, referindo-se ao acordo interino de paz ao qual Sharon sempre se opôs.
Partidários de Barak ficaram melancólicos. É um desastre para a democracia israelense e para o povo de Israel, porque ele quer totalmente algo que Sharon não é capaz de fazer, disse o parlamentar Yael Dayan.
Pesquisas de boca-de-urna promovidas pelas duas principais redes de televisão de Israel apontaram uma ampla vitória de Sharon: 59,5% dos votos contra 40,5%, para Barak a mesma margem prevista em pesquisas de intenção de voto dias e semanas antes da votação.
Numa eleição que traça um novo mapa para o processo de paz do Oriente Médio, os israelenses preferiram Sharon um veterano belicista que se recusa a ceder mais territórios aos palestinos ou o controle de partes de Jerusalém a Barak, que ofereceu aos palestinos um Estado abarcando a maior parte da Cisjordânia e toda a Faixa de Gaza, junto com uma divisão da contestada Cidade Santa.
Sharon diz que quer negociar a paz mas só depois que a calma for restaurada.
Para muitos israelenses, nenhum candidato merecia seu voto e a profunda frustração fez com que o comparecimento às urnas fosse um dos menores na história do país, pouco acima de 60%.
Tradicionalmente, o índice médio de comparecimento às urnas em Israel é de cerca de 80%, um dos maiores do mundo democrático.
Árabes-israelenses, que foram vitais para a vitória de Barak nas eleições de 1999, boicotaram em massa a votação, aplicando um golpe final nas já pequenas chances do primeiro-ministro de conquistar uma vitória no último minuto.
Sharon, de 72 anos, cujos admiradores consideram um herói de guerra e cujos detratores temem como um aventureiro militar irresponsável, era franco favorito nas pesquisas de intenção de voto. Mas Barak, que forçou as eleições antecipadas ao renunciar depois de 19 meses à frente de uma turbulenta coalizão governista, esperava conseguir dar uma virada no fim.
Israel impôs um bloqueio de um dia na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, onde os palestinos já vivem fortes restrições de viagens desde o início dos violentos confrontos que já entraram no quinto mês.


