Bloqueios podem causar prejuízo bilionário
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terça-feira, 04 de dezembro de 2018
Lucas Neves <br> Folhapress 
Madri, Espanha - No começo da terceira semana de mobilização dos "coletes amarelos" franceses contra o aumento da taxação sobre combustíveis, associações de empresários e comerciantes, além de governantes locais, faziam a conta nesta segunda-feira (3) dos estragos e do prejuízo causados pelo bloqueio de estradas e centros de compras - mas também pela irrupção de violência, sobretudo em Paris, no último sábado (1º).
Enquanto isso, a pedido do presidente Emmanuel Macron, o primeiro-ministro Edouard Philippe recebia para consultas líderes dos partidos com representação parlamentar, quase todos sugerindo o congelamento ou a total revogação do reajuste do imposto que é o estopim do movimento popular.
A Associação Nacional das Indústrias Alimentícias, por exemplo, projeta perdas de até 13 bilhões de euros (R$ 56 bilhões) no setor se o nó rodoviário em alguns pontos do país não se desfizer logo - os primeiros grandes protestos ocorreram em 17 de novembro.
As transações feitas por ocasião das festas natalinas respondem por 20% do faturamento anual desse segmento, informou o grupo, e o baque pode ser especialmente duro (e talvez incontornável) para pequenos e médios empresários. De seu lado, as firmas de logística e de transporte de carga avaliam já ter amargado juntas prejuízo de 400 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão), o que põe em risco postos de trabalho, segundo as federações respectivas.
Uma das mercadorias que não chegaram a seu destino foi justamente o combustível. Com centrais de distribuição isoladas por manifestantes, uma centena de postos de gasolina estava a seco na segunda, mas o impacto nacional ainda é limitado. Ainda na segunda, a Prefeitura de Paris estimou que gastará, só para recuperar o mobiliário urbano vandalizado no último sábado, entre 3 milhões (R$ 13 milhões) e 4 milhões de euros (R$ 17,3 milhões).
Os pequenos comerciantes viram sua arrecadação cair entre 20% e 40% nas últimas duas semanas, segundo cifras transmitidas ao Ministério da Economia. Nos grandes supermercados e lojas de departamento, a queda varia entre 15% e 25%, enquanto nos shoppings e galerias comerciais, a clientela encolheu 14%.
Já o turismo sente os efeitos da difusão nacional e internacional das cenas em que a sofisticada avenida Champs Elysées e suas adjacências surgem transfiguradas em praças de guerra. As reservas para as próximas semanas sofreram retração de até 20%, o que repercute no setor de restaurantes, no qual há casos em que 50% dos comensais desapareceram.
Segundo a chefia de polícia de Paris, que deteve 412 pessoas nos atos de sábado, o participante padrão é um homem com idade entre 30 e 40 anos, vindo do interior do país, onde, cumpre lembrar, a rede de transportes públicos possui inúmeros pontos cegos, o que deixa milhões dependentes de carros particulares - daí o descontentamento com o reajuste da tarifa sobre a gasolina.


