Blitz da Receita intimida o Clarín
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Folhapress 
Buenos Aires - O jornal Clarín, principal diário argentino, pertencente ao maior grupo de comunicação do país, interpretou como um ato de intimidação por parte do governo Cristina Kirchner o ingresso de cerca de 200 agentes da Receita Federal em sua sede, numa operação-surpresa de inspeção, ontem, em Buenos Aires. Não temos nenhum inconveniente em prestar informações à Receita. Mas esse é claramente um sinal de intimidação. O que chama a atenção é a desproporção do procedimento, disse Martín Etchevers, gerente de comunicação externa do Grupo Clarín, que emprega 15 mil profissionais -1.500 deles no jornal.
O editor-geral do Clarín, Ricardo Roa, associou a operação a reportagem publicada pelo jornal, que denunciava um operação irregular de 10 milhões de pesos (US$ 2,5 milhões) na Oncca, órgão de controle agropecuário ligado à receita federal. A fraude teria sido feita para favorecer um empresário próximo ao governo.
A associação é obvia. Entendo que o kirchnerismo está buscando reter o poder e ter mais poder sobre a imprensa, afirmou Roa. O diretor da Receita Federal argentina, Ricardo Etchegaray, citado na reportagem, negou, em carta endereçada a Roa, ter dado a ordem para a operação.


