Associated Press
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e seu colega da República da Irlanda, Bertie Ahern, voltaram ontem a Belfast para intermediar as negociações para que os líderes católicos e protestantes cheguem a um acordo sobre a formação do Executivo na Irlanda do Norte (Ulster), dois dias antes do término do prazo.
A questão do desarme do grupo guerrilheiro Exército Republicano Irlandês (IRA) continua bloqueando o processo de paz mas o líder do Partido Unionista do Ulster (UUP), David Trimble, começou a demonstrar maior flexibilidade quanto ao início da entrega das armas. Trimble vinha impondo como condição o desarme imediato do IRA para que seu braço político, o Sinn Fein, seja admitido na coalizão de governo. Ontem, ele afirmou, porém, que um acordo pode ser conseguido por meio de uma simples declaração do Sinn Fein de que o IRA completará o desarme até maio de 2000 - o prazo previsto no acordo de paz firmado em abril de 1998.
O Sinn Fein alega que o acordo fixa o mês de maio do ano que vem como data final para a entrega das armas e não vincula seu início à formação do governo. O número 2 do grupo, Martin McGuinness, não fez concessões abertamente. Em declaração a uma emissora de rádio, ele voltou a dizer que seu partido iria continuar ‘‘tentando persuadir o IRA a concordar com a entrega de armas em maio’’. As duas partes acusam-se pelo impasse no processo de paz.
Blair e Ahern buscam um acordo pelo qual o IRA se comprometa a estabelecer um cronograma para a entrega das armas. Em troca, o Sinn Fein assumiria 2 dos 12 cargos ministeriais no governo autônomo do Ulster. O presidente americano, Bill Clinton, exortou ontem, em entrevista à emissora britânica BBC, os líderes católicos e protestantes a manter os compromissos do processo de paz e disse estar disposto a contribuir para romper o impasse nas conversações.
A Comissão de Desfiles do Ulster proibiu ontem a passagem da marcha da organização protestante Cavaleiros da Ordem de Orange pelo bairro católico de Garvaghy Road, em Portadown, no domingo. A decisão foi uma resposta a um pedido de autorização da Ordem, impedida no ano passado de realizar a passeata que comemora vitórias protestantes sobre católicos, em séculos passados.

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